O tema na obra
O perdão aparece primeiro em chave de farsa. No capítulo 12, depois que Behemoth arranca a cabeça do mestre de cerimônias Bengálski, Fagot pergunta à plateia se devem perdoá-lo, e o teatro inteiro grita que sim; Woland comenta que a misericórdia às vezes bate no coração daquela gente e manda pôr a cabeça no lugar.
O caso sério começa no baile, no capítulo 23. Frida sufocou o filho recém-nascido com um lenço e, há trinta anos, ao acordar, encontra o lenço na mesinha de cabeceira; ao chegar diante de Margarida, só repete o próprio nome, e Margarida lhe diz que beba e não pense em nada. No capítulo 24, convidada a pedir uma paga, Margarida gasta o pedido com Frida. Woland se recusa a fazê-lo, porque aquilo é assunto de outro departamento, e é a própria Margarida quem a perdoa; na mesma noite ela recusa que a comitiva vá atrás do crítico Latunski.
O capítulo 32 refaz a cena em escala maior. Diante de Pôncio Pilatos, sentado há quase dois mil anos numa poltrona de pedra, Margarida pergunta se doze mil luas por uma não é castigo demais, e Woland lhe pergunta se ela está repetindo a história de Frida. Ela grita que o deixem ir; Woland responde que não é preciso interceder, porque "aquele que quer conversar com ele" já o fez, e entrega ao O mestre a frase que termina o romance dele. O mestre grita que Pilatos está livre. No Epílogo, no sonho de Ivan Nikoláievitch Bezdômny, Pilatos suplica ao jovem de túnica maltrapilha que o acompanha pelo caminho de luar (o Epílogo não o nomeia; o leitor reconhece Yeshua Ha-Notzri) que diga que a execução não existiu, e ouve que não existiu.
O livro separa o perdão do poder. Woland, que tem poder de sobra, não perdoa ninguém: no capítulo 24 diz que não fez nada, e no 32 avisa que o pedido já foi feito por outro. Quem perdoa são os que têm direito sobre a ofensa ou sobre a história: Margarida, que pede por Frida antes de pedir por si; o mestre, autor do romance em que Pilatos estava preso; e Yeshua, a única vítima que o procurador precisava ouvir. O perdão do fim não vem como sentença de juiz, vem na forma que Pilatos pede no Epílogo, dita por quem sofreu a execução.
Onde aparece
- Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação: a plateia grita pelo perdão de Bengálski, e Woland registra que a misericórdia ainda bate naqueles corações.
- Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás: Frida, presa há trinta anos ao lenço, pede socorro à rainha do baile dizendo o próprio nome.
- Segunda Parte, capítulo 24: O resgate do mestre: Margarida gasta o seu pedido com Frida e a perdoa com a própria voz.
- Segunda Parte, capítulo 32: Perdão e refúgio eterno: Pilatos é solto pelo mestre depois que Woland informa que Yeshua já intercedeu por ele.
- Epílogo: no sonho de Ivan, Pilatos pede a Yeshua que a execução não tenha existido.
Passagens
Frida no baile, pedindo socorro com o próprio nome.
Frida, Frida, Frida! Meu nome é Frida, oh, rainha!
O perdão que Woland se recusa a dar e Margarida dá.
Você está sendo perdoada. Não vão mais estender o lenço.
A resposta de Woland ao grito de Margarida por Pilatos.
Ao grito de Margarida para que deixem Pilatos ir, Woland responde que a intercessão já foi feita por outro.Não precisa interceder por ele, Margarida, pois aquele que quer conversar com ele o fez.
A frase com que o mestre termina o próprio romance.
Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
A súplica de Pilatos no caminho lunar.
Que execução vil! Por favor, diga-me [...] que ela não existiu! Suplico, diga-me, não existiu?