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A cabeça de Berlioz

O que é

A cabeça de Berlioz, cortada pelo bonde no capítulo 3 depois que ele escorrega no óleo de girassol derramado por Ánnuchka, como Woland tinha anunciado horas antes em Patriarchi Prudý. Roubada do caixão na manhã do enterro, reaparece no capítulo 23 num prato, diante de Woland, que a transforma em taça no fim do baile de satanás.

Onde aparece

No capítulo 1, Berlioz e Ivan Nikoláievitch Bezdômny negam que exista poder além do humano, e o estrangeiro anuncia a morte de Berlioz em detalhe.

Um tijolo [...] não cai nunca sem mais nem menos na cabeça de ninguém. E eu lhe garanto que isso, particularmente, não o ameaça de jeito nenhum. O senhor morrerá de morte diferente
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos
Vão cortar sua cabeça!
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos
Ánnuchka já comprou o óleo de girassol, e não só comprou como já o derramou. Não haverá reunião
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos

No capítulo 3, a profecia se cumpre no mesmo lugar, sob os olhos de Ivan.

Era a cabeça decepada de Berlioz
Primeira Parte, capítulo 3: A sétima prova
É a primeira vez que o cômico puro entra na obra, e entra colado à cena mais violenta do livro até aqui: o mesmo capítulo que começa com a cabeça decepada de Berlioz mostra, poucas páginas depois, um gato tentando pagar o bonde.
Primeira Parte, capítulo 4: A perseguição

No capítulo 12, a cena se repete com outra cabeça: o mestre de cerimônias Bengálski, que chama os truques de hipnose em massa, tem a cabeça arrancada por Behemoth e devolvida ilesa depois que a plateia pede perdão por ele.

A dor cômica do mestre de cerimônias, gritando pela própria cabeça decepada e devolvida, é o contraponto físico ao veredito de Woland: a plateia que acabou de pedir clemência é a mesma que, minutos antes, brigava pelas notas caindo do teto. Minha cabeça, minha cabeça!
Primeira Parte, capítulo 12: Magia negra e sua revelação

No capítulo 19, Moscou enterra Berlioz sem a cabeça, roubada do caixão naquela manhã. No capítulo 23, Azazello traz a cabeça num prato, Woland lhe diz que a teoria de Berlioz, de que a morte é o fim de tudo, vai se cumprir nele, pois a cada um é dado de acordo com a sua crença, e a cabeça vira taça; em seguida o sangue do barão Meigel enche a taça que Woland oferece a Margarida.

Isso é fato. E um fato é a coisa mais teimosa do mundo.
Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás

O que significa

A nota do capítulo 1 lê a morte de Berlioz como a resposta do romance ao ateísmo dos dois amigos.

É a tese que a cena inteira vai desmontar: o romance não refuta o ateísmo dos dois com um argumento, refuta com um fato que acontece.
Primeira Parte, capítulo 1: Nunca falem com estranhos

A cabeça abre e fecha essa refutação: no capítulo 1 Berlioz nega que exista poder além do humano, a cabeça cortada no capítulo 3 é o fato que responde, e no baile Woland usa a palavra "fato" diante dela para dar a profecia por cumprida, e em seguida aplica ao próprio Berlioz a teoria dele de que a morte é o fim de tudo.

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