O que é
O romance sobre Pôncio Pilatos que O mestre escreve no subsolo perto da Arbat, que o editor recusa, que a crítica ataca com a expressão "pilatismo" e que ele mesmo queima no forno numa noite de outubro. Os capítulos de Yerushalaim que o leitor lê dentro do livro são esse romance. Woland o devolve intacto depois do baile, com a frase "manuscritos não ardem", e é concluindo-o com uma frase que o mestre solta Pôncio Pilatos no fim.
Onde aparece
No capítulo 13, o mestre conta a Ivan Nikoláievitch Bezdômny como queimou o manuscrito, e Margarida chega a tempo de salvar do fogo só um maço de folhas.
É muito difícil fazer isso, porque o papel escrito queima a contragosto.
Vou salvá-lo, vou salvá-lo. O que significa tudo isso?
No capítulo 24, Behemoth tira o romance intacto de baixo do próprio corpo, e Woland recusa a explicação do mestre de que o destruiu no fogo.
Desculpe, não posso acreditar [...], isso não é possível. Manuscritos não ardem.
No capítulo 29, Mateus Levi traz o recado de quem leu a obra, e o destino do mestre se decide a partir dessa leitura.
Ele leu a obra do mestre [...] e pede que você leve o mestre consigo e lhe devolva a tranquilidade
Ele não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade
No capítulo 32, Woland devolve ao mestre a decisão sobre Pilatos, e o mestre fecha o romance dentro do romance com a frase que solta o procurador.
Está livre! Está livre! Ele está esperando por você!
O que significa
a leitura da obra liga a frase de Woland à fogueira real de 1930, quando Bulgákov queimou a primeira versão do livro.
O dado biográfico não é curiosidade lateral, e a nota o guarda porque ele volta dentro do romance: a frase que Woland diz ao devolver ao mestre o manuscrito que ele mesmo tinha ateado fogo é a resposta do autor à própria fogueira de 1930.
A nota do capítulo 29 lê a queima como o recuo que pesa na distinção entre luz e tranquilidade.
A distinção retoma, de outro ângulo, a covardia que Yeshua Ha-Notzri condenara: o mestre queimou o próprio romance e desistiu de defendê-lo diante da perseguição, e é esse recuo, não a obra em si, que o desqualifica para a luz sem lhe negar o descanso.
O manuscrito é o único objeto que atravessa os três planos do romance: o conteúdo dele é Yerushalaim, a queima e a devolução acontecem em Moscou, e a última frase é escrita no plano do além, quando o mestre solta Pilatos. Antes disso, no capítulo 30, o mestre já o tinha deixado arder no subsolo, sem levá-lo, porque diz saber o romance de cor.
Relações
- Temas-padrão: Arte, Coragem e heroísmo, Perdão.
- Personagens: O mestre, Margarida, Woland, Behemoth, Mateus Levi, Pôncio Pilatos.
- Símbolos vizinhos: A casa do refúgio, o destino que a leitura do manuscrito decide.