O que é
O destino que Woland oferece a O mestre e a Margarida no capítulo 32, "aquilo que Yeshua pediu por vocês": uma casa com parreiras, música de Schubert à noite, velas, o velho escravo e penas de ganso para escrever. Não é a volta a Moscou nem a Yerushalaim, que Woland recusa, nem o jardim por onde Pôncio Pilatos corre ao encontro de Yeshua. O capítulo e a última Parte se chamam "Perdão e refúgio eterno".
Onde aparece
No capítulo 29, Mateus Levi traz a Woland o pedido de quem leu a obra do mestre, e é ele quem traça a distinção entre luz e tranquilidade.
Ele leu a obra do mestre [...] e pede que você leve o mestre consigo e lhe devolva a tranquilidade
Ele não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade
No capítulo 32, depois de Pilatos solto, Woland aponta a casa, e Margarida guia o mestre até ela pela ponte de pedra musguenta.
Para lá, para lá! Lá o aguardam uma casa e o velho escravo, as velas já estão acesas, mas logo se apagarão, porque você encontrará o amanhecer imediatamente.
Ouça o sossego [...] ouça e deleite-se com aquilo que não lhe deram em vida, o silêncio.
O que significa
a leitura do capítulo 32 registra que o texto não usa "luz" para o que Pilatos recebe nem "descanso" para o que o mestre recebe, e dá ao mestre uma casa concreta.
O texto nunca diz a palavra "luz" para o que Pilatos recebe (um jardim que ele mesmo atravessa correndo, sem clareza sobre o que encontra do outro lado) nem a palavra "descanso" para o que o mestre recebe: dá ao mestre uma casa concreta, com música, velas e trabalho manual, o oposto de uma recompensa mística. É esse contraste, entre o perdão que se resolve numa conversa retomada e o refúgio (ver A casa do refúgio) que se resolve numa rotina doméstica, que fixa a ideia consagrada pela crítica de que Pilatos ganha a paz da conversa terminada e o mestre ganha o sossego de uma vida sem mais interrupção, nenhum dos dois a iluminação de quem já não precisa de mais nada.
A nota dos capítulos 30 a 32 e do Epílogo lê a diferença entre os dois destinos pelo tipo de covardia de cada um.
O livro diz com todas as letras, no capítulo 29, que o mestre "não fez por merecer a luz", e o que lhe oferece no lugar, em detalhe doméstico (parreiras, Schubert, penas de ganso), é o oposto do jardim luminoso de Pilatos. Não é castigo: no capítulo 32 a casa é dada como recompensa, "aquilo que Yeshua pediu por vocês". Pilatos falhou por covardia diante do poder e espera quase dois mil anos pela conversa; o mestre falhou por fraqueza diante da crítica (queimou o próprio romance) e ganha o repouso, não a luz. Cada um recebe o que a própria falha deixou alcançar.
A casa repete a condição em que o romance sobre Pilatos foi escrito: no capítulo 13 o mestre conta que alugou dois cômodos no subsolo perto da Arbat e passou a escrever, isolado e feliz, com Margarida a visitá-lo todos os dias. O refúgio devolve o isolamento, a escrita e a presença dela, sem a recusa do editor e a crítica que vieram depois; o subsolo de verdade, para onde os dois voltam no capítulo 24, arde no capítulo 30.
Relações
- Temas-padrão: Lar, exílio e retorno, Redenção, Coragem e heroísmo.
- Personagens: O mestre, Margarida, Woland, Mateus Levi, Yeshua Ha-Notzri, Pôncio Pilatos.
- Símbolos vizinhos: O manuscrito, cuja leitura decide o refúgio, e A lua, o caminho que Pilatos toma na mesma cena.