Exagero deliberado, que ninguém toma ao pé da letra, para dar ênfase a um sentimento ou a uma situação.
Em Madame Bovary
o amor, segundo acreditava, devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações [...] tempestade dos céus que cai sobre a vida e a revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro.
O amor que Emma espera é descrito em escala de catástrofe: "tumulto", "fulgurações", uma tempestade que "arranca as vontades como folhas" e arrebata para o abismo "o coração inteiro". Nenhum afeto real chega a tanto, e o exagero mostra o ideal inflado que os livros lhe deram.
Parte II, capítulo 4, o narrador
Pobrezita da mulher! Aposto que anseia pelo amor como uma carpa pela água em cima da mesa da cozinha! Com três palavras de galanteio, tenho a certeza de que até me adorava!
Parte II, capítulo 7, Rodolphe
Ah!, se, na frescura da sua beleza, antes da conspurcação do casamento e da desilusão do adultério, pudesse ter entregue a sua vida a algum coração grande e sólido, então, com a virtude, a ternura, as volúpias e o dever confundindo-se numa coisa só, nunca teria descido de tão alta felicidade.
Parte II, capítulo 15, o narrador
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.