Dizer uma coisa querendo que se entenda outra, muitas vezes o contrário. O sentido verdadeiro fica por conta de quem lê ou de quem ouve.
Em Madame Bovary
... cuja feiura muda tem profundezas de expressão, como o rosto de um imbecil
O narrador finge elogiar o boné quando diz que sua "feiura muda" tem "profundezas de expressão", como se uma peça sem sentido guardasse algo a dizer. O elogio solene é falso: o que ele diz de verdade é que o objeto, e por tabela o dono, é ridículo.
Parte I, capítulo 1, o narrador
Emma, na frente dele, fitava-o, não participava da sua humilhação, mas sentia outra: a de ter imaginado que semelhante homem pudesse ter algum valor, como se não tivesse já verificado dezenas de vezes a sua mediocridade.
Parte II, capítulo 11, o narrador
Assinatura
A explicação de cada passagem, em todos os recursos e em todas as obras, está na assinatura.