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Recurso literário

Paralelismo

Frases ou versos seguidos com a mesma construção, de modo que o leitor compara o que muda de um para outro.

Em O Mestre e Margarida

Já o queimou no forno, já o afogou no rio, mas o lenço continua lá e nada ajuda.

“Já o queimou no forno, já o afogou no rio” repete a mesma construção para listar tentativas de destruir o lenço. O encadeamento desemboca em “o lenço continua lá e nada ajuda”, e a falha de todas reforça a culpa que não se apaga.

Segunda Parte, capítulo 23: O grande baile de satanás, Korôviev

Não estou fazendo nada, não estou incomodando ninguém, estou consertando o fogareiro [...] e ainda considero uma obrigação avisar que o gato é um animal antigo e sagrado

As negativas “não estou fazendo nada, não estou incomodando ninguém” seguem a mesma construção e culminam em “estou consertando o fogareiro”. O ritmo de defesa burocrática reforça a falsa inocência do gato.

Segunda Parte, capítulo 27: O fim do apartamento número 50, Behemoth

Ele não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade

“Não fez por merecer a luz, fez por merecer a tranquilidade” repete “fez por merecer” nas duas metades, o que obriga o leitor a comparar os dois bens. A estrutura simétrica marca a diferença entre luz e tranquilidade sem explicá-la.

Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido, Mateus Levi