Pergunta feita sem esperar resposta, porque a resposta já está implícita, ou porque o que importa é a dúvida que ela expõe.
Em O Mestre e Margarida
O que significa ser representante oficial ou não oficial? Tudo isso depende de que ponto de vista você olha para o objeto. Tudo isso, Nikanor Ivânovitch, é relativo e instável.
Korôviev pergunta “O que significa ser representante oficial ou não oficial?” e responde ele mesmo, sem esperar nada de Nikanor. A pergunta existe para dissolver a dúvida do presidente e fazer a conveniência passar por relativismo, tudo “relativo e instável”.
Primeira Parte, capítulo 9: Truques de Korôviev, Korôviev
Não seria melhor organizar uma festa com esses vinte e sete mil e, depois de tomar veneno, passar para o outro mundo sob o som de cordas, cercado de belas mulheres embriagadas e amigos alegres?
Woland pergunta “Não seria melhor organizar uma festa” com o dinheiro já sabendo a resposta, pois o gerente morrerá em nove meses. A pergunta traz a conclusão embutida e deixa sem defesa a avareza de quem guarda o que não poderá usar.
Primeira Parte, capítulo 18: Os visitantes azarados, Woland
Quem lhe disse que não existe no mundo o verdadeiro, o fiel, o eterno amor? Pois que cortem a língua desse mentiroso infame!
“Quem lhe disse que não existe no mundo o verdadeiro, o fiel, o eterno amor?” não pede resposta: já traz a tese de que esse amor existe. A maldição contra o “mentiroso infame” fecha a pergunta como desafio ao leitor.
Segunda Parte, capítulo 19: Margarida, O narrador
o que faria a sua bondade se não existisse a maldade, como seria a terra se dela sumissem as sombras
As duas perguntas de Woland, “o que faria a sua bondade se não existisse a maldade” e “como seria a terra se dela sumissem as sombras”, já trazem a resposta implícita: sem o mal, o bem não teria contra o que se mostrar.
Segunda Parte, capítulo 29: O destino do mestre e de Margarida é decidido, Woland