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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 1

Uma cidadezinha

Resumo do capítulo

O romance abre pela cidade, não pelo herói: Verrières, no Franco-Condado, com suas casas brancas de telhado vermelho, o Doubs, as serrarias e a fábrica de pregos que ensurdece quem sobe a rua principal, propriedade do prefeito, o Monsieur de Rênal, homem cujo talento se resume a cobrar pontualmente o que lhe devem e a pagar o mais tarde possível. Para completar o jardim de muros em terraço (quanto mais muros, mais respeito dos vizinhos), Rênal comprou a peso de ouro o terreno onde ficava a serraria do velho Sorel, que mudou a usina de lugar e ainda arrancou dele seis mil francos (ver Sorel pai). A troca foi criticada na cidade, e o prefeito passou a achar que poderia ter pago menos desde o domingo em que viu Sorel sorrir para ele, de longe, rodeado pelos filhos.

Análise

Cap. I. O narrador, sobre a opinião na província: tirania da opinião, e que opinião!, é tão burra nas cidadezinhas da França quanto nos Estados Unidos da América.

A ação se passa sob a Restauração (o desvio do riacho de Sorel foi concedido depois das eleições de 182*, que a edição identifica como as de Villèle, em 1824): a monarquia voltou com Luís XVIII e depois Carlos X, a nobreza e o alto clero recuperaram posições, e ser napoleônico é, na Verrières do romance, motivo de suspeita.

Para discutir Stendhal abre o romance por uma cidade e só depois chega ao herói. O que o retrato de Verrières, com suas serrarias, a fábrica de pregos do prefeito e o jardim de muros em terraço, já diz sobre o tipo de mundo em que Julien terá de abrir caminho?

Para discutir Rênal passa a achar que poderia ter pago menos pelo terreno desde o domingo em que viu o velho Sorel sorrir para ele de longe, e o narrador fala em "tirania da opinião". O que esse medo de um sorriso mostra sobre quem, de fato, manda numa cidade pequena?