Resumo do capítulo
Às cinco da manhã Julien Sorel obtém de Rênal a folga de três dias; a Madame de Rênal o recebe com uma frieza forçada, ele responde com altivez e parte sem lhe falar da viagem, e ela só fica sabendo da partida pelo filho e vai para a cama, desolada. Julien sobe a grande montanha, passa o fim da tarde numa gruta onde escreve seus pensamentos, que queima antes de partir, e chega à uma da manhã à casa de Fouqué, jovem comerciante de madeira. Fouqué lhe propõe sociedade no negócio, com quatro mil francos por ano, e Julien, depois de pesar a proposta, recusa dizendo que a vocação para o santo ministério não lhe permite aceitar, o que o amigo não consegue entender.
Análise
Cap. XII. Na gruta, a caminho da casa de Fouqué, sozinho e longe de qualquer olhar, Julien conhece a maior felicidade que teve até ali, e ela vem da liberdade, não de uma conquista:
Com a cabeça apoiada nas mãos, Julien sentiu-se mais feliz na gruta do que jamais fora em toda a vida, agitado pelos devaneios e pelo gozo da liberdade.
Cap. XII. A razão que Julien procurava para recusar a sociedade de Fouqué não é a vocação que ele invoca em voz alta, é a medida de Bonaparte:
Ora, eu perderia covardemente sete ou oito anos! Chegaria assim aos vinte e oito, mas, com essa idade, Bonaparte já havia realizado seus maiores feitos!
Para discutir Julien recusa a sociedade de Fouqué, que lhe daria quatro mil francos por ano, dizendo que a vocação para o santo ministério não lhe permite aceitar. Que razão parece mover de fato o rapaz, e por que ele escolhe justamente a vocação como desculpa?
Para discutir Sozinho e longe de qualquer olhar, Julien conhece a maior felicidade que teve até ali, feita de devaneios e do "gozo da liberdade". Por que a maior felicidade dele aparece onde não há ninguém para vê-lo, e o que isso diz sobre a vida que escolheu levar entre os outros?