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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 26

O amor moral

Resumo do capítulo

A marechala estranha o encanto da família com o padrezinho deles, que só sabe prestar atenção, e Julien Sorel vê nela um exemplo de calma patrícia, incapaz de emoção viva. Quando Mathilde de La Mole, intrigada com a constância com que ele se esconde dela, se muda para uma mesinha ao lado da poltrona de Fervaques, Julien fala muito bem, mas só para atingir a alma de Mathilde, e a marechala nem o acompanha. Mathilde, irritada, jura não ouvi-lo mais.

Na pasta de couro da Rússia em que Korasoff guardou as cinquenta e três cartas, Julien lê que a primeira deve ser enviada oito dias após o primeiro encontro, copia-a, cai de sono na segunda página e termina rindo da homilia sobre a virtude. Uma nota a lápis ensina o ritual da entrega.

Análise

O ritual da carta, nas instruções de Korasoff: Levar essas cartas pessoalmente: a cavalo, de gravata preta, casaca azul. Entregar a carta ao porteiro com ar contrito; profunda melancolia no olhar. Se avistar alguma criada, enxugar os olhos furtivamente. Dirigir a palavra à criada.

Julien cumpre tudo fielmente, e por um mês o melhor momento do seu dia é recolher o cavalo, quando a silhueta de Mathilde aparece à janela. Fervaques, à noite, age como se não tivesse recebido a carta, mas conclui que o jovem tem distinção e a unção de um Massillon.

Para discutir A marechala acha o "padrezinho" da família encantador porque ele só sabe prestar atenção, e Julien vê nela a calma patrícia de quem não conhece emoção viva. Por que a atenção silenciosa rende mais a Julien do que qualquer discurso, e o que isso diz do meio que ele quer conquistar?

Para discutir Julien copia as cartas de Korasoff, cai de sono no meio da cópia e ri da homilia sobre a virtude, e ainda assim cumpre fielmente o ritual de entrega, com ar contrito. O que acontece com uma pessoa que executa um papel que ela mesma acha ridículo?