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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 17

O primeiro-adjunto

Resumo do capítulo

Num fim de tarde no pomar, Julien Sorel sonha com a dificuldade de conseguir uma boa colocação e solta um arroubo a favor de Napoleão, e a Madame de Rênal franze as sobrancelhas e adota um ar frio, porque para ela aquilo soa a pensamento de criado. Ele se salva atribuindo a frase ao raciocínio dos ímpios que ouviu na viagem à casa do amigo comerciante de madeira, mas sente no franzir o primeiro revés da ilusão. Com a educação que recebe dela, Julien enfim entende as intrigas de Verrières, onde se tenta fazer do devoto Moirod o primeiro-adjunto do prefeito, e a própria sra. de Rênal chega a vê-lo papa ou primeiro-ministro como Richelieu.

Análise

O arroubo de Julien, que ele precisa desmentir na hora: como Napoleão foi mesmo o homem enviado por Deus para os jovens franceses! Quem vai substituí-lo?

O franzir de sobrancelhas mostra a Julien de que lado ela foi educada: Ela é boa e gentil, tem por mim uma afeição viva, mas foi criada em campo inimigo.

A intriga que Julien enfim decifra vale mais, aos olhos dele, do que a batalha de Fontenoy: Tratava-se de fazer do sr. de Moirod — o homem mais devoto da região — o primeiro e não o segundo-adjunto do prefeito de Verrières.

Por trás da devoção está o interesse: três casas de Moirod, e nove de gente graúda de Verrières, têm de recuar por causa do alargamento da rua principal, e um primeiro-adjunto complacente, mais tarde prefeito, deixaria que elas ficassem onde estão por mais cem anos.

Para discutir Quando Julien elogia Napoleão no pomar, a sra. de Rênal franze as sobrancelhas, e ele conclui que ela "foi criada em campo inimigo". Pode haver amor entre duas pessoas que veem o mundo de lados opostos, e como o capítulo mostra os dois contornando isso?

Para discutir Julien aprende com a sra. de Rênal as intrigas de Verrières e descobre que a disputa pelo posto de primeiro-adjunto, travada entre devotos, esconde o interesse de quem não quer que as casas recuem com o alargamento da rua. Por que, na cidade, devoção e interesse andam juntos, e o que Julien aprende ao perceber isso?