Resumo do capítulo
Pela primeira vez a ideia de bispado se associa ao nome de Julien Sorel, na cabeça de uma mulher que um dia distribuirá os melhores cargos da Igreja. Julien copia a segunda carta sem pensar no sentido e percebe que as cartas da própria marechala, que Bustos lhe emprestara, são igualmente vagas: só enxerga ali um medo abominável do ridículo. Durante quinze dias repete o ritual de transcrever, entregar a carta e recolher o cavalo na esperança de ver o vestido de Mathilde de La Mole, enquanto suas frases pitorescas e sentimentais ganham torneado mais refinado.
Quando Fervaques o convida para jantar, Julien encontra no salão três dos presentes à redação da nota secreta, entre eles o bispo tio da marechala, que distribui os benefícios e nada lhe recusa. O jantar é medíocre e a conversa exasperante.
Análise
Cap. XXVII. No jantar da marechala, sobre a conversa à mesa: Depois de escutar uns três minutos, nos perguntamos o que é pior, se a grandiloquência de quem fala ou a sua abominável ignorância.
Pelas maledicências do pequeno Tanbeau, que se desfaz em calúnias contra ele, Julien intui pela primeira vez que a marechala, sem responder, vê com indulgência o sentimento que as cartas ditam. O Abade Pirard lhe faz longos sermões sobre o sucesso, porque o austero jansenista rivaliza com o salão jesuítico, restaurador e monárquico da marechala.
Para discutir Julien se aproxima do que sempre quis, uma mulher cujo tio bispo distribui os melhores cargos da Igreja, e o jantar é medíocre e a conversa exasperante. O que a distância entre o prêmio e o prazer diz sobre a ambição dele?
Para discutir Lendo as cartas vagas da marechala, Julien conclui que "só o que percebo de verdadeiro é um medo abominável do ridículo". O que o medo do ridículo explica sobre a alta sociedade que ele quer conquistar?