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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 38

Um homem poderoso

Resumo do capítulo

Julien Sorel espera o pai, mas quem entra no torreão é Mathilde de La Mole, vestida de camponesa e viajando sob o nome de sra. Michelet; ele lhe descreve o futuro que imagina para ela, casada com Croisenois, e ela, que subornou um secretário de juiz para entrar, propõe que morram juntos. Mathilde conclui que em Besançon tudo depende do Abade de Frilair e, depois de oito dias de pedidos, consegue vê-lo, confessa que é filha do Marquês de La Mole e pergunta se é possível fazer Julien fugir. O vigário-geral, ao ler as cartas do ministro da Guerra para o sr. de La Vernaye e ao perceber que Mathilde é amiga da marechala de Fervaques, enxerga uma via rápida para o episcopado. Frilair diz que, entre os trinta e seis jurados sorteados, contaria com oito ou dez amigos e poderia fazer com que absolvam, e depois a tortura sugerindo que o tiro nasceu de ciúme da Madame de Rênal. Dá a entender que dispõe do ministério público e que trabalhará pessoalmente pelo menos trinta jurados.

Análise

O sistema descrito é real na França da Restauração: o júri de assises era sorteado entre trinta e seis notáveis do departamento, e o padre de Frilair diz poder manipular boa parte dessa lista para condenar ou absolver a seu favor.

Ainda que sorteassem quatro ou cinco vezes seguidas uma lista de trinta e seis jurados entre os notáveis habitantes deste departamento [...] eu poderia considerar falta de sorte se, em cada lista, eu não contasse oito ou dez amigos, e dos mais inteligentes do grupo.

A cena em que Mathilde visita o palácio episcopal e se sente em Paris ao ver o luxo do padre de Frilair mostra que a aristocracia parisiense e o clero provinciano falam a mesma língua de poder, ainda que Stendhal os oponha o tempo todo como mundos rivais.

Mathilde sentiu-se em Paris.

Para discutir No palácio episcopal do vigário-geral Frilair, Mathilde "sentiu-se em Paris". O que a frase sugere sobre a relação entre a aristocracia parisiense e o clero provinciano, que o livro tantas vezes opõe?

Para discutir Frilair afirma que, entre os trinta e seis jurados sorteados, contaria com oito ou dez amigos, e que poderia trabalhar pessoalmente pelo menos trinta. O que vira a justiça num lugar em que o sorteio já tem dono?