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O Vermelho e o Negro · Livro II

Capítulo 44

Resumo do capítulo

Livre do padre, Julien Sorel chora porque vai morrer e lamenta que a Madame de Rênal não esteja em Besançon para ouvir a confissão de sua fraqueza. Mathilde de La Mole lhe conta o que o Abade de Frilair disse sobre Valenod e sobre o discurso, e ele a manda embora, e depois Fouqué, porque precisa ficar sozinho. No dia seguinte o velho carpinteiro, Sorel pai, chega com as censuras, e Julien o desarma ao falar de suas economias e do testamento, e o pai ainda apresenta a conta das despesas de educação. Depois da visita, Julien faz entrar na cela dois galerianos e champanhe, conclui que não existe direito natural e que os salões vivem de crimes iguais aos dos galerianos, e, numa noite em que pensa em se matar, passa em revista a religião e a hipocrisia até concluir que o que o isola é a ausência da sra. de Rênal, e ri como Mefistófeles. Quando Fouqué chega, Julien está forte e resoluto, como um homem que vê claro em sua alma.

Análise

Mathilde conta depois a Julien o que houve dentro do arranjo de Frilair, que era para absolvê-lo:

Ela lhe contou que, no dia do julgamento, o sr. de Valenod, tendo no bolso sua nomeação para governador, ousara zombar do padre de Frilair e dar-se o prazer de condenar Julien à morte.

O velho Sorel visita o filho no calabouço e começa pelas censuras; Julien só o desarma dizendo que fez economias, e o pai, ao ouvir que o resto do dinheiro será dele, ainda apresenta a conta.

Há ainda as despesas de sua alimentação e de sua educação, que eu adiantei e das quais não está lembrando

Julien sobre o direito natural: Não existe um direito natural: essa expressão não passa de uma tolice antiga digna do promotor que me acusou naquele dia, e cujo antepassado foi enriquecido por um confisco de Luís XIV. Só há um direito quando existe uma lei que proíba fazer alguma coisa sob pena de punição.

Depois da visita, Julien julga o pai sem raiva, e mede o consolo que ele vai tirar do dinheiro.

A esse preço, dirá seu olhar, qual dentre vocês não ficaria encantado em ter um filho guilhotinado?

Julien diante da morte: Assim também eu, que morrerei aos vinte e três anos. Deem-me mais uns cinco anos de vida, para viver com a sra. de Rênal. E pôs-se a rir como Mefistófeles: Que loucura ficar discutindo esses grandes problemas!

Para discutir Na cela, Julien conclui que "não existe um direito natural" e que só há direito onde uma lei proíbe sob pena de punição. Por que uma ideia dessas lhe vem justamente ali, e o que ela devolve ao julgamento que o condenou?

Para discutir O velho Sorel visita o filho condenado e apresenta a conta das despesas de alimentação e de educação que adiantou. Por que o romance reserva essa cena ao pai, e o que ela fecha em relação ao modo como ele tratou Julien desde o início do livro?