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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 10

Um grande coração

Resumo do capítulo

Rênal entra no quarto das crianças com os criados que carregam os colchões, e Julien Sorel, fora de si, o enfrenta: pergunta se outro preceptor teria feito os filhos progredirem tanto, diz que pode viver sem ele e que, saindo daquela casa, sabe para onde ir. Rênal, que logo imagina Julien instalado na casa de Valenod, concede cinquenta francos por mês, e as crianças correm a contar à mãe. Julien avisa que precisa falar de consciência com o cura Abade Chélan e sobe pelos bosques até uma rocha isolada: ali, longe dos homens, diz a si mesmo que ganhou uma batalha e se pergunta de que o homem poderoso teve medo. Observando um gavião, inveja-lhe a força e o isolamento e pergunta-se se o destino de Napoleão será o seu.

Análise

Cap. X. Depois de arrancar o aumento, Julien sobe ao bosque e dá nome ao que fez no vocabulário do chefe que admira, a guerra: Ganhei uma batalha, disse a si mesmo tão logo se viu no bosque e longe do olhar dos homens. Ganhei uma batalha!

A metáfora militar não é acidental, é o vocabulário napoleônico do capítulo 5 do Livro I aplicado agora às relações de poder na casa: Julien trata a concessão de Rênal como terreno ganho que é preciso aproveitar, e no capítulo seguinte (Livro I, capítulo 11: Uma noite) dirá que isso é puro Napoleão.

Para discutir Julien enfrenta Rênal diante dos criados, arranca o aumento e, no bosque, diz a si mesmo: "Ganhei uma batalha!". Por que ele descreve uma discussão sobre salário como batalha, e o que se ganha, e o que se perde, ao enxergar a vida desse modo?

Para discutir No alto da rocha, Julien inveja a força e o isolamento de um gavião e se pergunta se o destino de Napoleão será o seu. O que a imagem da ave de rapina diz sobre o tipo de grandeza que ele deseja, e o que ela deixa de fora?