Resumo do capítulo
Julien Sorel pede a Fouqué um confessor jansenista inacessível à intriga, e a Madame de Rênal volta a Besançon, consegue autorização para vê-lo duas vezes por dia e o encontra sem amor-próprio algum, contando-lhe todas as suas fraquezas. Mathilde de La Mole, enciumada, atormenta Julien com cenas quase diárias, e a morte de Croisenois em duelo faz Julien tentar convencê-la a aceitar o sr. de Luz. Julien recusa a conversão com alarde que o confessor lhe aconselha como meio de obter clemência e proíbe a sra. de Rênal de ir a Saint-Cloud atirar-se aos pés do rei. Na manhã da execução, sob um lindo sol, ele morre sem afetação, tendo pedido a Fouqué que ponha Mathilde e a sra. de Rênal na mesma carruagem, e tendo exigido da sra. de Rênal o juramento de que viveria para o filho de Mathilde. Fouqué compra o corpo para a gruta da montanha que domina Verrières, e Mathilde beija a cabeça de Julien, acompanha o enterro e manda adornar a gruta com mármores italianos. A sra. de Rênal cumpre o juramento e não atenta contra a própria vida, mas morre três dias depois, abraçada aos filhos.
Análise
Diante da sra. de Rênal, Julien confessa as fraquezas que escondera de Mathilde e de Fouqué: é a inversão do método dos capítulos do cerco, e o texto chama de amor aquilo que não precisa de cálculo nem de pose.
Julien não tinha o menor amor-próprio perante ela e lhe contou todas as suas fraquezas.
Nas visitas da sra. de Rênal à prisão, Julien faz a conta do que a ambição lhe tomou nos bosques de Vergy:
quando poderia ter sido tão feliz em nossos passeios nos bosques de Vergy, uma impetuosa ambição transportava minha alma para regiões imaginárias. [...] Não, eu morreria sem conhecer a felicidade se você não tivesse vindo me ver nesta prisão.
Depois da execução, Mathilde reencena de propósito a lenda de Margarida de Navarra, a rainha que teria enterrado com as próprias mãos a cabeça do amante, Boniface de La Mole, o antepassado da família: o narrador diz que a lembrança de Boniface de La Mole e de Margarida de Navarra lhe dava coragem.
Quando Fouqué criou coragem para olhar, ela havia posto, numa pequena mesa de mármore, diante de si, a cabeça de Julien e beijava-a na testa…
A sra. de Rênal cumpre o que jurou, não atenta contra a própria vida, e o livro fecha as duas mulheres em espelho invertido: Mathilde, que orna a gruta com mármores e faz do enterro uma cerimônia de lenda, sobrevive; a sra. de Rênal, que nunca pediu nada para si, cumpre a letra do juramento e morre de qualquer forma, sem cena, sem discurso.
A sra. de Rênal se manteve fiel a sua promessa. Não tentou de modo algum atentar contra sua vida; mas, três dias depois morreu abraçada aos filhos.
Para discutir Na manhã da execução, Julien pede a Fouqué que ponha Mathilde e a sra. de Rênal na mesma carruagem e exige da sra. de Rênal o juramento de viver para o filho de Mathilde. Por que o último pedido dele junta as duas mulheres, e o que ele faz com o amor de cada uma?
Para discutir Mathilde entra no quarto onde Fouqué vela o corpo, põe a cabeça de Julien numa pequena mesa de mármore e a beija na testa. Isso é amor, teatro ou as duas coisas, e o que muda no modo de lembrar Julien conforme se responde?