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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 6

Modo de pronunciar

Resumo do capítulo

Num café da Rue Saint-Honoré, um homem de sobrecasaca insulta Julien Sorel e lhe atira cartões de visita, e Julien, com o tenente Liévin como testemunha, vai à casa do cavalheiro Charles de Beauvoisis, cujo nome está nos cartões, e encontra um janota que não é o homem do café. Ao sair, reconhece no cocheiro de Beauvoisis o insultador (ele roubara os cartões), derruba-o a chicotadas, e o duelo acontece: Julien leva uma bala no braço e volta na carruagem do adversário, achando a conversa deles mais divertida que a do salão. Para fugir do ridículo, Beauvoisis espalha que Julien é filho natural de um amigo do Marquês de La Mole, boato que o marquês decide tornar consistente e que o manda à Ópera para livrá-lo dos modos provincianos.

Análise

Depois do duelo, na carruagem, Julien descobre algo que o salão de La Mole (ver O salão de La Mole) nunca lhe deu: gente da mesma casta que se permite rir da procissão de Corpus Christi e contar anedotas picantes sem medo do ridículo. A diferença entre o tédio da mansão de La Mole e a leveza de Beauvoisis não é de classe, é de risco: quem já nasceu seguro pode se dar ao luxo da indecência.

Esses senhores, ainda que muito nobres, pensou Julien, não são enfadonhos como as pessoas que vão jantar na mansão do sr. de La Mole; e percebo por quê, [...] Eles se permitem ser indecentes.

Para discutir Depois do duelo, na carruagem do adversário, Julien acha a conversa mais divertida do que a do salão de La Mole e conclui que aqueles senhores "se permitem ser indecentes". Por que o tédio de uns e a leveza de outros pertencem à mesma classe, e o que isso diz sobre o que o medo faz com as pessoas?

Para discutir Para fugir do ridículo, Beauvoisis espalha que Julien é filho natural de um amigo do marquês, e o boato passa sem dificuldade. O que o episódio mostra sobre o valor da origem numa sociedade que diz medir tudo pelo nascimento?