Resumo do capítulo
Depois de ler sem prazer as longas cartas de Julien Sorel, a sra. de Fervaques começa a se envolver, e o narrador dá a razão: o tédio de uma vida que só ambiciona o efeito sobre o público.
O tédio, não a sedução, é o que abre a fechadura de Fervaques, o mesmo tédio de que Mathilde de La Mole, perto de Julien, se livrara desde o capítulo XII.
Análise
O tédio de um modo de vida que só ambiciona o efeito sobre o público, sem que no fundo do coração haja uma satisfação real com esse tipo de sucesso, tornara-se tão intolerável desde que pensava em Julien
Num rompante, a marechala responde a Julien, que devolve cópias fiéis das cartas russas, e ela nem nota que não há relação entre uma coisa e outra.
Mathilde encontra sobre a mesa de Julien a carta que o porteiro acabara de trazer, exige explicações, chora e, ao abrir a gaveta dele, descobre que as cartas de Fervaques dormem ali sem ser abertas.
Ficou como que gelada de horror encontrando oito ou dez cartas não abertas, em tudo semelhantes àquela que o porteiro acabara de trazer.
Antes disso, com a lembrança de Korasoff, Julien enrijecera os braços para não abraçar o corpo dócil que se oferecia a ele. Agora, caída a seus pés, ela pede perdão e diz que não pode mais viver sem seu amor, e Julien pensa:
Aí está essa orgulhosa, a meus pés!, pensou Julien.
Para discutir O narrador atribui o envolvimento da marechala ao tédio de uma vida que "só ambiciona o efeito sobre o público". Então é o tédio, e não a sedução, que abre a fechadura de Fervaques, e o que isso diz sobre o que as cartas copiadas por Julien fazem nela?
Para discutir Mathilde descobre na gaveta de Julien as cartas de Fervaques sem abrir e cai a seus pés, e ele pensa: "Aí está essa orgulhosa, a meus pés!". O que Julien sente nesse instante, amor, vitória ou as duas coisas, e como o texto indica?