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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 16

Uma hora da manhã

Resumo do capítulo

Desconfiado de uma emboscada, Julien Sorel faz um reconhecimento militar do jardim e, à uma e cinco da madrugada, sobe a escada até o quarto de Mathilde de La Mole, de pistola na mão, mais assustado que apaixonado. A cena é friíssima: Mathilde negocia a escada e a corda com sangue-frio de estrategista, e Julien não sente ternura: percebe que não triunfa sobre Croisenois, apenas o sucede, e só chega, pela razão, à alegria do amor-próprio. Ela cumpre a resolução que tomara, a de pertencer a ele inteiramente se ele ousasse chegar até ali, e a noite termina sem queixa nem ternura. Julien só escapa depois de esperar de pé num armário de acaju, quando a mãe de Mathilde se levanta, e cavalga pela floresta mais espantado que feliz.

O narrador marca a diferença explicitamente, e é o eixo de todos os capítulos 16 a 30 do Livro II: o que aconteceu ali não foi a volúpia da alma que Julien conheceu junto da Madame de Rênal, foi dever para ela e ambição para ele.

Análise

Não era, é verdade, aquela volúpia da alma que encontrara algumas vezes junto da sra. de Rênal. Nada havia de terno em seus sentimentos nesse primeiro momento. Era a alegria mais viva da ambição, e Julien era sobretudo ambicioso.

Mathilde, do lado dela, está cumprindo um roteiro que se impôs a si mesma, e o narrador não deixa dúvida.

Na verdade, seu entusiasmo era um pouco deliberado. O amor apaixonado, mais do que uma realidade, ainda era um modelo que se imitava.

Para discutir Se os dois sabem, cada um a seu modo, que estão representando um papel, o que resta para chamar aquilo de amor, e por que o texto ainda insiste em chamar?

Para discutir Julien pensa que não está triunfando sobre Croisenois como imaginava, que "apenas vou sucedê-lo", e logo se consola com a raiva que o rival sentirá por ter um sucessor. De que a vaidade dele se alimenta mais, do amor de Mathilde ou da derrota dos outros?