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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 28

Uma procissão

Resumo do capítulo

Julien Sorel percebe que nenhum professor aprecia sua humildade, exceto o padre Chas-Bernard, diretor do cerimonial da catedral, que lhe fala por horas dos paramentos e da velha presidenta de Rubempré; na véspera do Corpus Domini, Abade Pirard o manda ajudá-lo a ornamentar a catedral. Julien trabalha nas escadas, sobe ao dossel do altar-mor para pôr os buquês de plumas onde os tapeceiros parisienses não se atreveram e divide com ele uma refeição alegre. Durante a procissão, vigiando a ala norte da igreja vazia, reconhece a Madame de Rênal, que desmaia ao ouvir seus passos, e a sra. Derville o expulsa com dureza. Chas-Bernard, ao ver Julien pálido, desiste de apresentá-lo ao bispo.

Análise

A exceção humana nesse mundo é o padre Chas-Bernard, diretor do cerimonial, cuja vaidade de ofício (as vestes, os castiçais, os paramentos da catedral) é ingênua e sincera, não calculada. Julien, treinado a farejar segundas intenções em todo mundo, espera o golpe que nunca vem, e conclui: E, contudo, ele trabalhou muito, está feliz [...]. Que homem! Que exemplo para mim!

É um elogio sem ironia a um homem de Igreja, justamente porque Chas-Bernard não finge nada.

A sra. Derville, que sempre desconfiou do caso, diz a Julien o que ele passou a ser para a mulher que ama: Sua presença deve causar-lhe horror, ela era tão feliz antes de conhecê-lo!

A cena não muda o rumo da trama, mas confirma que a ferida de Verrières continua aberta sob o hábito preto.

Para discutir Julien observa o padre Chas-Bernard, feliz com paramentos e castiçais, espera o golpe que não vem e conclui: "Que homem! Que exemplo para mim!". Por que um rapaz que desconfia de todos reconhece nesse padre algo que admira, e o que lhe falta para imitá-lo?

Para discutir A sra. Derville diz a Julien que "sua presença deve causar-lhe horror", falando da sra. de Rênal, que desmaiou ao ouvir os passos dele. Ela tem razão, e o que o desmaio diz sobre o assunto?