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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 28

Manon Lescaut

Resumo do capítulo

As instruções de Korasoff mandam nunca contradizer de viva voz a pessoa a quem se escreve. Numa noite na Ópera, no camarote de Fervaques, Julien Sorel elogia o balé de Manon Lescaut só porque o acha insignificante, e a marechala, que costuma professar desprezo pelos romances, diz que o balé é bem inferior ao livro do abade Prévost, antes de lembrar que Bonaparte o julgou escrito para os lacaios. Julien deduz que alguém quis comprometê-lo junto à marechala, falando-lhe de seu entusiasmo por Napoleão, e na despedida ouve o recado.

Análise

Cap. XXVIII. A marechala de Fervaques a Julien, na Ópera: Quando se despedia da marechala no vestíbulo da Ópera, ela disse: — Lembre-se, senhor, que quem me ama não deve amar Napoleão; pode no máximo aceitá-lo como uma necessidade imposta pela Providência. De resto, aquele homem não tinha a alma suficientemente elegante para sentir as obras-primas das artes.

Ele continua copiando as cartas de Korasoff sem prestar atenção ao que transcreve, e o texto expõe o mecanismo com uma piada cruel.

Copiando distraído, Julien esquece de trocar as cidades do original por equivalentes parisienses, e a marechala percebe.

tinha copiado linha por linha, sem prestar atenção no que escrevia e, aparentemente, esquecera de substituir as palavras "Londres" e "Richmond", que constavam do original, por "Paris" e "Saint-Cloud".

Julien se salva com uma frase sobre a distração de sua alma exaltada, e a marechala, impressionada com o contraste entre a leviandade da conversa e a profundidade quase apocalíptica das cartas, não o abandona. Mathilde de La Mole, que se esforça por não pensar nele, impressiona-se com a perfeita falsidade dele, um maquiavelismo que a espanta, e Julien, que a vê todos os dias e sabe pelas cartas ditadas pelo Marquês de La Mole que ela está às vésperas de se casar com Croisenois, olha para as pistolas com carinho, mas decide seguir a política russa até o fim.

Para discutir Se toda palavra que Julien diz à marechala é, no relato do próprio narrador, mentira ou disfarce, o que exatamente Mathilde está admirando quando se impressiona com o maquiavelismo dele?

Para discutir A marechala diz a Julien que "quem me ama não deve amar Napoleão". Por que, num salão devoto, a admiração por Napoleão vira exame de lealdade, e o que isso muda para quem a guardava em segredo?