Resumo do capítulo
Julien Sorel só se entrega à felicidade quando Mathilde de La Mole não pode ler seu olhar, e cumpre a regra de lhe dizer de vez em quando uma palavra dura; ela, que pela primeira vez ama, é submissa com ele e cada vez mais altiva com todos os outros. Descobre-se grávida e, por honra, quer contar ao pai, e Julien, assustado, consegue com uma ordem que ela adie a carta até a terça seguinte. Ele confessa a Mathilde que o que mais teme é ser afastado dela, e ela fica feliz por julgar que, dos dois, é quem mais ama. Na terça, o Marquês de La Mole encontra à meia-noite uma carta de oito páginas, escrita para um homem impulsivo, em que a filha assume a culpa por ter seduzido o rapaz e propõe viver com ele na Suíça como sra. Sorel. Enquanto Julien se pergunta o que o marquês escreveria para prescrever sua conduta, o criado de quarto o chama às pressas: o senhor marquês está fora de si.
Análise
O capítulo abre com a imagem que lhe dá o nome: Julien convive com uma paixão que ele mesmo criou, e só a mantém dócil com a pistola carregada sobre a mesa, que é a frieza calculada.
Um viajante inglês relatou a intimidade em que vivia com um tigre; tinha-o criado e o acariciava, mas sempre mantinha em sua mesa uma pistola carregada.
A confissão que antecede esta frase, de que ficar longe dela é a única infelicidade que ele teme, é dita por um Julien desvairado de amor, e mesmo assim o narrador a chama de papel: nele, o cálculo e o sentimento deixam de se separar.
Julien incorporara seu papel com tanta aplicação que chegara a fazê-la pensar que, dos dois, era ela quem amava mais.
Para discutir O narrador compara Julien a um viajante inglês que criou um tigre e o acariciava, "mas sempre mantinha em sua mesa uma pistola carregada". Quem é o tigre nessa imagem, quem é o viajante, e o que a pistola protege?
Para discutir Julien incorporou tão bem o papel que Mathilde passa a achar que, dos dois, é ela quem mais ama. O que ele ganha, e o que perde, ao ser amado apenas pelo personagem que representa?