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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 22

Maneiras de agir em 1830

Resumo do capítulo

Em Verrières, Julien Sorel se arrepende de ter sido injusto com a Madame de Rênal e, para mostrar à cidade o que é um padre, constrói com as próprias mãos uma estante para os livros do Abade Chélan, que a destituição afastou do presbitério. O subgovernador Maugiron lhe faz, em nome de um funcionário que não nomeia, a oferta de oitocentos francos pagos por trimestre, e Valenod o convida para almoçar: Julien recita o Novo Testamento em latim diante dos convidados e vira moda, mas chora ao ouvir o diretor do asilo dizer que mandou calar o preso que cantava. O Monsieur de Rênal e Valenod passam a disputar o preceptor, o primeiro humilhado por ter o nome na última linha das coletas das confrarias, o segundo dependente do vigário-geral Abade de Frilair desde que pediu a destituição de Chélan. A sra. de Rênal vem à cidade e desperta Julien com as mãos nos olhos, e o caçula Stanislas, ainda doente, quer vender os talheres de prata e dar o valor a Julien, para que ele não saia perdendo ao ficar com eles.

Análise

No almoço na casa de Valenod, diretor do asilo de mendicidade: Julien, já muito pouco à vontade, pensou que do outro lado da parede da sala de jantar se encontravam pobres detentos cuja porção de carne talvez tivesse sido subtraída para comprar todo esse luxo de mau gosto com o qual queriam aturdi-lo. Talvez tenham fome agora mesmo, disse consigo mesmo; ficou com o coração apertado, não pôde comer e quase não conseguiu falar.

O contraste com a casa dos Rênal aparece com clareza total no jantar na casa do sr. Valenod, ainda em Verrières, mas que já antecipa o seminário (ver O seminário de Besançon): ao pedir que calem um preso que cantava, Valenod expõe a mesma engrenagem que Julien vai encontrar em Besançon, poder que se exerce sobre quem não pode responder.

Não estão mais cantando aquela canção desagradável. [...] Ora, com certeza! [...] mandei calar os vagabundos.

Ali a hipocrisia treinada de Julien racha, e ele chora escondido atrás do copo de vinho.

O narrador mostra como Valenod montou o poder que disputa o preceptor com o prefeito: Deem-me os dois mais tolos dentre vocês; aos homens da lei: Indiquem-me os dois mais ignaros; aos funcionários da saúde: Designem os dois maiores charlatões. Quando conseguira reunir os mais descarados de cada ofício, dissera-lhes: Reinemos juntos.

Para discutir Na casa de Valenod, Julien recita o Novo Testamento e vira moda, mas chora ao ouvir o diretor do asilo dizer que mandou calar o preso que cantava. O que esse choro revela sobre os limites da hipocrisia de Julien?

Para discutir Rênal e Valenod passam a disputar Julien como preceptor, um humilhado por ver o próprio nome na última linha das coletas das confrarias, o outro dependente do vigário-geral. O que a disputa mostra sobre quem tem poder em Verrières, e o que ela torna possível para Julien?