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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 23

O clero, os bosques, a liberdade

Resumo do capítulo

Na continuação da reunião, um cardeal sustenta que não se forma na França um partido armado sem o clero, ao qual é preciso conceder tudo, a começar pelos bosques.

Análise

O cardeal: Cinquenta mil padres repetem as mesmas palavras no dia indicado pelos chefes, e o povo, que, afinal de contas, fornece os soldados, há de se comover mais com a voz de seus padres do que com os versinhos do mundo

O primeiro-ministro, sr. de Nerval, que o cardeal quer fora do ministério, declara que tem uma missão do céu e a cumprirá, e sai às quinze para as duas depois de estudar o rosto de Julien Sorel num espelho. O jovem bispo de Agde propõe, com ardor de fanático, imolar Paris, e a reunião termina às três da manhã.

O documento final dessa noite tem nome, e é o que dá título ao capítulo XXI.

A nota secreta que o marquês redigiu, baseada na longa ata de vinte e seis páginas escrita por Julien, só ficou pronta às quinze para as cinco.

No dia seguinte Julien parte sozinho numa caleche, com passaporte falso, e assim que sai da vista do Marquês de La Mole só pensa no desprezo de Mathilde de La Mole. Num vilarejo perto de Metz o encarregado da posta alega não haver cavalos, e o cantor napolitano Geronimo, que Julien encontra na cozinha da estalagem, lhe revela que há mais de doze escondidos. À noite o padre Castanède, ao lado do encarregado da posta, revista a bagagem e os bolsos de Julien, que finge dormir, enquanto o cantor, que bebera o vinho adulterado com láudano, fica meio asfixiado. Julien parte só, recita as quatro páginas ao grande personagem num café de última categoria, recebe a ordem de estar de novo ali no dia 22 e segue para Estrasburgo, onde o padre Castanède, chefe da polícia da congregação na fronteira, não o reconhece.

Para discutir O marquês confia a Julien a missão que nem o próprio filho saberia cumprir, decorar quatro páginas e percorrer cem léguas sem ser descoberto, mas nunca o convida a opinar sobre a conspiração, só a transportá-la: o que isso diz sobre o lugar que a política reserva ao mérito de Julien, mesmo quando esse mérito é indispensável?

Para discutir O cardeal sustenta que sem o clero não se forma na França um partido armado e que é preciso conceder-lhe tudo: "Cinquenta mil padres repetem as mesmas palavras no dia indicado pelos chefes". O que o cardeal entende por força, e como isso conversa com a Igreja que Julien conheceu até aqui?