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Personagem

Monsieur de Rênal

Quem é

Prefeito de Verrières, dono da fábrica de pregos, que fez fortuna com o comércio de ferro, e marido de Madame de Rênal. A nota do capítulo 2 do Livro I mede a grandeza dele em muros construídos e plátanos podados duas vezes por ano, dentro da régua que o narrador escreve em maiúsculas nesse capítulo.

O narrador entrega a chave da cidade numa única frase maiúscula, que funciona como epígrafe interna do capítulo II: Eis a grande palavra que decide tudo em Verrières: DAR LUCRO. Por si só representa o pensamento habitual de mais de três quartos dos habitantes.
Livro I, capítulo 2: Um prefeito

Trajetória

No capítulo 3 do Livro I, a decisão de contratar Julien Sorel como preceptor nasce da disputa de prestígio com Valenod.

A decisão de contratar Julien Sorel, no capítulo III, nasce menos do afeto que da disputa de prestígio entre os dois homens fortes da cidade: o Valenod está muito orgulhoso dos dois belos cavalos normandos que acaba de comprar para sua caleche. Mas não tem preceptor para os filhos.
Livro I, capítulo 3: Um cura

Na negociação do salário do filho, quem leva a melhor é Sorel pai.

Cap. V. Na negociação do salário do filho, o Sorel pai leva a melhor sobre o prefeito: a astúcia do camponês venceu a astúcia do homem rico, que não precisa dela para viver.
Livro I, capítulo 5: Uma negociação

No primeiro encontro tenta examinar o latim do preceptor com um verso de Horácio, e Julien se esquiva pela vocação.

Cap. VI. No primeiro encontro, Julien usa a vocação como escudo contra o exame de latim do Monsieur de Rênal: O amor-próprio do sr. de Rênal o deixava inquieto; em vez de pensar em examinar o preceptor, concentrava-se em procurar na memória algumas palavras latinas; finalmente pôde dizer um verso de Horácio. Julien só sabia o latim de sua Bíblia. Respondeu franzindo as sobrancelhas: — O santo ministério a que me destino proibiu-me de ler poeta tão profano.
Livro I, capítulo 6: O tédio

Recusa a ideia da mulher de dar roupas a Julien. Mais adiante no mesmo capítulo, quando ela conta que Julien recusou os luíses que ela lhe oferecera, ele a repreende por tolerar a recusa de um criado e cita uma frase atribuída ao príncipe de Condé sobre as Memórias de Besenval: "Toda essa gente são nossos criados".

Cap. VII. A sra. de Rênal e o marido diante da pobreza de Julien: o nome de Julien e a sensação de uma alegria pura e intelectual eram sinônimos para ela. Atormentada pela ideia da pobreza do rapaz, a sra. de Rênal falou com o marido sobre presenteá-lo com roupas: — Que bobagem! — ele respondeu. — Que nada! Dar presentes a um homem com o qual estamos absolutamente satisfeitos? E que nos serve direito? Só se ele se tornasse negligente seria necessário estimular seu zelo.
Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas

A mulher gosta dele sobretudo quando ele fala dos projetos para os três filhos.

A própria Madame de Rênal, ao pensar no futuro dos filhos, reproduz sem perceber a régua de carreiras fechadas que rege toda a cidade: Gostava do sr. de Rênal sobretudo quando ele lhe falava de seus projetos para os filhos, destinando um deles às armas, o segundo à magistratura e o terceiro à Igreja.
Livro I, capítulo 3: Um cura

A ameaça que pesa sobre ele é de cargo, e ele fala de política com raiva.

A ameaça que paira sobre o Monsieur de Rênal não é só de fortuna, é política: O sr. de Rênal falava de política com raiva: dois ou três industriais de Verrières estavam se tornando decididamente mais ricos do que ele e queriam enfrentá-lo nas eleições.
Livro I, capítulo 11: Uma noite

Diante de uma grosseria dele, a mulher sente pela primeira vez desejo de vingança.

Cap. IX. Diante da grosseria do marido: Pela primeira vez na vida a sra. de Rênal sentiu uma espécie de desejo de vingança contra o marido.
Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo

No capítulo 19 do Livro I, quando o filho Stanislas adoece, a mulher se lança aos pés dele para confessar tudo, e é detida só porque ele a acha "romanesca" e vai dormir. No capítulo 21 do Livro I, depois da carta anônima, passa a noite com uma faca de caça na mão, deliberando entre matar a mulher, expulsá-la ou fingir não saber de nada, e vence o cálculo de fortuna e reputação.

O sr. de Rênal passa a noite deliberando entre matar a mulher, expulsá-la ou fingir não saber de nada; vence o cálculo de fortuna e reputação, não a paixão nem o perdão: Estou acostumado com Louise [...]; se eu estivesse livre para me casar amanhã, não encontraria quem a substituísse.
Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre
O mesmo devaneio, em que ele chega a examinar a faca de caça, nomeia a rede que o protegeria se o caso chegasse a sangue: O Código Penal está a meu favor e, o que quer que aconteça, nossa congregação e meus amigos do júri me salvarão.
Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre

No capítulo 21 do Livro I descarrega a raiva sobre a mulher.

O sr. de Rênal descarregando a raiva sobre a mulher: Sua negligência, sua preguiça só permitem a atividade da caça às borboletas, criaturas fracas que temos a infelicidade de ter em nossas famílias!… A sra. de Rênal o deixava falar, e ele falou bastante; ele punha a raiva para fora, como dizem na região.
Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre

A mulher dita a Julien como fabricar uma segunda carta anônima, com palavras recortadas de livro e coladas em papel do próprio Valenod, para que o marido acredite que o autor da primeira é o rival.

No capítulo 1 do Livro II, já fora da ação, o nome dele volta na diligência para Paris: Julien o propõe como exemplo, Falcoz o comenta, e Saint-Giraud o põe no começo de uma sucessão de reinos de província.

Bonaparte, que o céu o fulmine e sua tralha monárquica, tornou possível o reino dos Rênal e dos Chélan, que trouxe o reino dos Valenod e dos Maslon.
Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo

No Livro II reaparece de longe: a mulher lhe prometera não deixar a cama e vai a Besançon assim mesmo (capítulo XL), e três dias depois do reencontro na prisão ele manda a carruagem e ordena que ela volte a Verrières (capítulo XLIII).

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Dinheiro e riqueza, Honra e reputação e Política.

Na noite da faca de caça, o sr. de Rênal decide o casamento pela mesma régua com que Verrières decide tudo: a frase com que fica com a mulher fala de costume e de substituição, e a proteção com que conta é a da congregação e dos amigos do júri. A rede clerical que, no fim do livro, decide o júri de Julien aparece aqui pela primeira vez como garantia, na cabeça de um marido traído.

Relações

  • Madame de Rênal: a mulher, que ele chama de Louise e cuja confissão ele não escuta.
  • Julien Sorel: o preceptor que ele contrata para não ficar atrás do Valenod.
  • Valenod: o rival na cidade, a quem a segunda carta anônima atribui a primeira.
  • Sorel pai: que o vence na negociação do salário do filho.
  • Abade Chélan: posto ao lado dele por Saint-Giraud, no "reino dos Rênal e dos Chélan".