Resumo do capítulo
Perto da meia-noite Julien Sorel avisa à Madame de Rênal que o marido deve ter lido uma carta anônima e que não se verão naquela noite; ela, pensando que o aviso é pretexto para evitá-lo, ainda vai à porta dele à hora de sempre. Na manhã seguinte a cozinheira lhe entrega um livro com a inscrição em italiano que manda ver a página 130, onde está uma carta dela, escrita às pressas e cheia de erros de ortografia. Nela a sra. de Rênal diz que dirá ao marido ter recebido ela mesma uma carta anônima, propõe que Julien se instale em Verrières e faça amizade com todos, e dita o plano: a carta anônima será dele, feita de palavras recortadas de um livro e coladas em papel azulado vindo da casa de Valenod, para que o marido acredite que o autor da primeira é o rival. Combina ainda um sinal, um lenço branco no pombal.
Análise
A sra. de Rênal deixa de ser personagem passiva e passa a estrategista da própria sobrevivência: O único objetivo de minha conduta é fazer meu marido pensar que a carta vem do sr. Valenod
A mulher que um capítulo antes se via condenada passa a dar ordens com precisão de ofício: É você quem vai providenciar a carta anônima; arme-se de paciência e de uma tesoura.
Para discutir A sra. de Rênal, que um capítulo antes se via condenada, escreve a Julien um plano com ordens precisas, até "arme-se de paciência e de uma tesoura". O que essa mudança mostra sobre o modo como a culpa e a ação convivem nela?
Para discutir Para livrar Julien, a sra. de Rênal monta uma segunda carta anônima, recortada e colada em papel que veio da casa de Valenod, a fim de que o marido acuse o rival. O que a facilidade dessa mentira diz sobre a mulher que a inventa e sobre o mundo em que ela vive?