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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 4

A mansão de La Mole

Resumo do capítulo

Para se orientar no O salão de La Mole, Julien Sorel anota os nomes e o caráter dos frequentadores: aduladores da marquesa, dois viscondes e cinco barões que conduzem a conversa, tudo regido pela regra de não falar de política nem de nada que seja estabelecido. Atrás da poltrona da marquesa, Mathilde de La Mole preside uma roda onde Croisenois, Caylus, Luz e Norbert zombam de quem chega, como Descoulis, Sainclair e o barão Bâton, enquanto Julien assiste de uma cadeira de palha. Passam o conde Chalvet, o barão de Tolly, que fraudou uma eleição, e o jovem Tanbeau, que pede dez anos de prisão para o poeta Béranger.

O Abade Pirard, que chama aquilo de covil, avisa Julien de que o Marquês de La Mole não gosta de escrevinhadores, e Julien queima um manuscrito seu. A noite acaba com a zombaria contra o conde de Thaler, herdeiro riquíssimo de um banqueiro de reis, e a visão cura Julien de toda inveja.

Análise

Cap. IV. Os anfitriões do palácio de La Mole: No fundo, os anfitriões experimentavam muito orgulho e muito tédio; estavam acostumados à maledicência para se distrair, para que pudessem esperar verdadeiros amigos.

O tédio aqui não é falha, é a regra de proteção do grupo: qualquer ideia viva é lida como grosseria, porque uma ideia obriga a tomar posição, e tomar posição é o único luxo que essa gente não pode se permitir em público.

Não há cem mil escudos de renda nem condecoração que possa lutar contra essa norma de salão. Uma ideia viva, mínima que fosse, parecia uma grosseria.

Cap. IV. A opinião como tirano, numa fala de salão: Por que querem que eu tenha hoje a mesma opinião de três semanas atrás? Nesse caso, minha opinião seria meu tirano.

Cap. IV. No salão de La Mole: Isso é mesmo um covil — dizia, como Basílio67 —, só vejo entrar gente viciosa.

Ao explicar por que Julien nunca poderá escrever ("o marquês não gosta de escrevinhadores"), Pirard cita o duque de Castries sobre D'Alembert e Rousseau: "Essa gente quer refletir sobre tudo e não tem nem mil escudos de renda". O julgamento é claro: pensar em público é coisa de quem não tem certificado de nascimento para se dar ao luxo de errar.

Para discutir Julien anota o nome e o caráter dos frequentadores do salão para se orientar, e o narrador diz que ali uma ideia viva, mínima que fosse, "parecia uma grosseria". Que tipo de sociedade precisa proibir a ideia, e o que ela protege com isso?

Para discutir Pirard chama o salão de covil e avisa que o marquês não gosta de escrevinhadores, e Julien sobe ao quarto e queima um manuscrito seu. O que ele sacrifica nessa hora, e o que o gesto lembra de outros momentos em que escondeu ou queimou algo que era seu?