Resumo do capítulo
A ausência fizera esquecer os disparates do dia anterior, mas à noite Julien Sorel, sem esperar escurecer, diz ao ouvido da Madame de Rênal que irá ao quarto dela às duas horas, e ela responde com indignação verdadeira. Ele passa a noite infeliz e, quando as duas badaladas o acordam como o canto do galo acordou são Pedro, vai descalço pelo corredor, trêmulo, e abre a porta do quarto, onde ardia uma lamparina. Ela salta da cama e o chama de desgraçado; Julien, esquecendo os planos, cai a seus pés e desfaz-se em lágrimas, e a sra. de Rênal, que se julga condenada, o afasta e logo se atira nos braços dele. De volta ao seu quarto, Julien repassa a própria conduta como o soldado ao voltar da parada.
A vitória não lhe traz o que ele esperava:
Análise
Meu Deus! Ser feliz, ser amado, é só isto?
A pergunta de Julien, ao sair do quarto, não é retórica: é o primeiro sinal de que a ambição que o move não sabe o que fazer diante do próprio sucesso. A cena termina não em êxtase, mas em autoavaliação de desempenho: E que papel? O de homem acostumado a ser brilhante com as mulheres.
Até no amor conquistado, Julien continua atuando para uma plateia que só existe na própria cabeça.
Para discutir Se nem a conquista da sra. de Rênal, o primeiro grande sucesso do livro, dá a Julien a felicidade que ele esperava, o que isso antecipa sobre o tipo de ambição que o move: ele quer alguma coisa em si, ou só quer não perder?
Para discutir Julien chega ao quarto da sra. de Rênal trêmulo, esquece os planos, cai aos pés dela em lágrimas, e é então que ela o aceita. Por que o gesto sem cálculo é o que funciona, depois de tantos planos que só o deixaram desajeitado?