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O Vermelho e o Negro · Livro I · Capítulo 6

O tédio

Resumo do capítulo

A Madame de Rênal, que esperava um padre sujo e malvestido, encontra à porta um rapaz quase menina, pálido, que acabou de chorar e tem dezenove anos em breve, e logo se encanta com ele; ao jurar que jamais baterá nos filhos dela, Julien Sorel ousa beijar-lhe a mão. Rênal fala com Julien numa sala, retendo a mulher, entrega-lhe os trinta e seis francos do primeiro mês, exige que deixe de ver parentes e o leva à loja do sr. Durand para vesti-lo de preto. Apresentado às crianças, Julien recita de cor a Bíblia em latim diante dos criados maravilhados e do Valenod e do subgovernador Maugiron, e a cena lhe vale o título de senhor; à noite, Verrières em peso vai à casa do prefeito ver a maravilha. Poucos dias depois ele recusa o contrato de dois anos que Rênal lhe propõe.

Análise

O próprio Julien registra, sem dramatizar, a régua que vai usar dali por diante: Que diferença em relação a mim, pensou Julien. Ontem mesmo meu pai me bateu. Como essa gente rica é feliz!

A comparação entre a casa do pai e a casa de Rênal não é sobre afeto, é sobre violência versus conforto, e organiza toda a leitura que Julien faz da classe alta: não a inveja pelo que ela é, mas pelo que ela poupa a quem nasce nela.

Cap. VI. No primeiro encontro, Julien usa a vocação como escudo contra o exame de latim do Monsieur de Rênal: O amor-próprio do sr. de Rênal o deixava inquieto; em vez de pensar em examinar o preceptor, concentrava-se em procurar na memória algumas palavras latinas; finalmente pôde dizer um verso de Horácio. Julien só sabia o latim de sua Bíblia. Respondeu franzindo as sobrancelhas: — O santo ministério a que me destino proibiu-me de ler poeta tão profano.

Para discutir A sra. de Rênal se apaixona pela delicadeza física de Julien antes de saber quem ele é; Julien calcula cada gesto diante dela desde o primeiro dia. O leitor deve confiar em algum ponto de espontaneidade real da parte dele, ou tudo, já no capítulo VI, é encenação?

Para discutir Julien chega à casa de Rênal e logo pensa: "Como essa gente rica é feliz!". De que modo a felicidade que ele vê nos outros, e que atribui à riqueza, pode estar moldando aquilo que ele vai querer conquistar?