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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 17

Uma velha espada

Resumo do capítulo

Mathilde de La Mole não aparece ao jantar e, nos dias seguintes, finge não ver Julien Sorel, que procura o motivo e conclui que não é escrúpulo religioso, é interesse de casta.

Análise

Nas situações cotidianas ela não acredita em religião, Julien pensou, apenas aprecia sua grande utilidade junto aos interesses de sua casta.

Brigam de vez na sala de jogos, e Julien, que só então descobre amá-la, decide partir para o Languedoc e reserva lugar na mala-posta. Ao esperar o marquês na biblioteca, encontra Mathilde e lhe pergunta se não o ama mais, e ela responde que tem horror de ter se entregado ao primeiro que apareceu.

Julien se lança sobre uma velha espada medieval que enfeita a biblioteca, e o efeito sobre Mathilde é o oposto do que se esperaria: ao vê-lo recuar, lembrando do Marquês de La Mole, seu benfeitor, e pendurar a arma de volta com um gesto lento, ela o fita sem ódio e foge, com medo de recair.

A cena convoca, sem nomear, a memória de sangue da própria família de Mathilde: o século de Carlos IX e Henrique III é o século em que um antepassado dos La Mole foi decapitado por conspirar contra o trono, e é exatamente esse imaginário de morte nobre que a excita.

Então estive a ponto de ser morta por meu amante!, dizia consigo. Essa ideia a transportava para os belos tempos do século de Carlos IX e de Henrique III.

O marquês, informado da partida, manda que Julien nunca fique mais de duas ou três horas ausente e o declara detido na mansão.

Para discutir Por que quase ser morta reacende o desejo de Mathilde com mais força do que qualquer declaração de amor teria?

Para discutir Julien conclui que, para Mathilde, a religião serve aos "interesses de sua casta". Ele, que usou a batina como disfarce, está em condições de julgá-la, e o que o seu diagnóstico diz sobre ele?