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O Vermelho e o Negro · Livro II · Capítulo 11

O império de uma moça

Resumo do capítulo

Mathilde de La Mole reina sobre o salão por epigramas e se entedia com as cartas todas iguais que recebe de Croisenois, Caylus e dos outros, e as compara, desfavoravelmente, aos atos de grandeza do tempo do Império. Ao se divertir passeando com Julien Sorel, decide, num lampejo de alegria, que está amando, e conclui que só um amor heroico a livrará do tédio de sua classe.

Análise

O amor de Mathilde nasce como projeto antes de nascer como sentimento: ela decide amar porque precisa de uma grande paixão para escapar do tédio de sua classe, e só depois de decidir escolhe o objeto que melhor cumpre os requisitos (pobreza, orgulho, energia, ausência de nascimento). É a mesma lógica fria do salão, voltada contra o próprio salão.

Cap. XI. Mathilde, ao decidir que ama Julien: Tenho a felicidade de amar!, pensou, um dia, com um arroubo de incrível alegria. Estou amando, estou amando, é claro!

Para discutir Depois de se divertir passeando com Julien, Mathilde decide, num "arroubo de incrível alegria", que está amando. Dá para chamar de amor um sentimento que nasce como decisão?

Para discutir Mathilde se entedia com as cartas todas iguais de Croisenois, Caylus e dos outros, e as compara, desfavoravelmente, aos atos de grandeza do tempo do Império. O que o tédio dela revela sobre o que a sua classe perdeu, e por que o remédio é procurado no passado?