Resumo do capítulo
O narrador avisa que dirá pouco desta época sombria. Julien Sorel, que mal progride na hipocrisia de gestos, passa pela maior provação de sua vida, cogitando alistar-se ou virar professor de latim, e descobre que diferença gera ódio quando um aluno em olor de santidade o repele ao primeiro trovão. O padre Castanède ensina que o governo só tem poder legítimo por delegação do papa, os colegas só falam de curatos gordos e de coelhos dados a criadas de curas velhos, e Julien, que tenta tirar partido do livro de Maistre sobre o papa, ganha o apelido de Martinho Lutero por sua lógica. Isolado como ovelha sarnenta, chega a se armar de um compasso de ferro contra os colegas mais fortes que queriam espancá-lo.
Análise
O desânimo de Julien no seminário (ver O seminário de Besançon): Poderia se tornar professor de latim; precisava de tão pouco para sua subsistência! Mas então, adeus carreira, adeus o futuro de sua imaginação: era como morrer. Eis os detalhes de um de seus tristes dias.
A cena da tempestade é o retrato mais seco desse mundo: Julien caminha com um colega em olor de santidade quando começa a trovejar, e o santo o repele sem cerimônia.
Escute aqui: cada um por si neste mundo, não quero ser atingido pelo raio; Deus pode fulminá-lo como a um ímpio, como a um Voltaire.
A santidade de fachada não sobrevive ao primeiro trovão; é o oposto exato da devoção da Madame de Rênal, que era sincera até doer.
O hábito de raciocinar, que ninguém avisou a Julien ser um crime: Após ter lhe incutido o hábito de raciocinar corretamente e de não se contentar com palavras vãs, não teve o cuidado de lhe dizer que, em quem não é muito considerado, esse hábito é um crime; pois todo bom raciocínio ofende.
Julien descobre que qualquer raciocínio bem construído, ali, é lido como afronta, e os colegas o apelidam pelo motivo declarado.
apelidaram-no MARTINHO LUTERO; sobretudo, diziam, por causa dessa lógica infernal de que se orgulhava tanto.
Para discutir O narrador diz que, em quem não é muito considerado, o hábito de raciocinar é um crime, "pois todo bom raciocínio ofende", e os colegas apelidam Julien de Martinho Lutero por causa da lógica dele. Por que pensar bem é perigoso nesse lugar, e quem sai mais desprotegido, quem raciocina ou quem obedece?
Para discutir Ao primeiro trovão, o colega "em olor de santidade" afasta Julien dizendo "cada um por si neste mundo". O que essa cena mostra sobre a devoção do seminário, quando posta ao lado da fé que Julien viu na sra. de Rênal?