Quem é
Fidalgo de Paris, pai de Mathilde de La Mole e de Norbert, em cuja mansão Julien Sorel vive no Livro II como secretário. O ancestral que dá nome à família é Boniface de La Mole, decapitado em 1574 (ver A cabeça cortada).
Trajetória
No capítulo 19 do Livro I, antes de aparecer, ele já é destinatário: depois da visita do rei, um súdito de Verrières lhe escreve pedindo um emprego pela lealdade demonstrada.
Cholin, súdito de Verrières, escreve ao Marquês de La Mole para pedir emprego pela lealdade demonstrada, não pelo mérito:Peço ao senhor marquês a agência de loteria de Verrières, que em breve certamente estará vaga de um modo ou de outro, já que o titular se acha muito doente e, aliás, vota mal nas eleições etc.
Corre em paralelo o processo dele contra Abade de Frilair por uma herança de terras, no qual Abade Pirard o defendia havia anos. É Pirard, já em Paris a serviço do marquês, quem sugere Julien como secretário. o guia registra ainda que os quinhentos francos que Julien atribuía à sra. de Rênal vieram, na verdade, do marquês.
No capítulo 1 do Livro II, Pirard descreve a família a Julien: o marquês paga bem e por capricho, e o filho é descrito assim.
Cap. I. O Abade Pirard descrevendo a família de La Mole:Ele tem dois filhos, uma filha e um filho de dezenove anos, elegante por excelência, um extravagante que nunca sabe ao meio-dia o que fará às duas horas.
O nome da família está gravado em mármore negro na porta da mansão, e Julien lê nisso medo.
Tal ostentação desagradou a Julien. Eles têm tanto medo dos jacobinos! Veem um Robespierre e sua carroça atrás de cada sebe; estão sempre zombando de tudo e exibem dessa forma sua casa para que a canalha a reconheça, em caso de tumulto, e a pilhe.
Recebe Julien, manda arrumar vinte e duas camisas ("Eis o primeiro quarto de seu ordenado") e desanima ("É tempo perdido toda essa experiência") quando Julien escreve "isso" com um só s. Segundo Pirard, o marquês não gosta de escrevinhadores.
Cap. IV. Os anfitriões do palácio de La Mole:No fundo, os anfitriões experimentavam muito orgulho e muito tédio; estavam acostumados à maledicência para se distrair, para que pudessem esperar verdadeiros amigos.
No capítulo 7 do Livro II a gota o prende em casa, e Julien vira sua companhia exclusiva; à noite, de traje azul, Julien é tratado como irmão caçula do conde de Chaulnes, e de manhã, de traje preto, volta a ser secretário.
Se é possível apegar-se a um belo cocker spaniel, pensava o marquês, por que me envergonho tanto de me apegar a esse padrezinho? Ele é original. Trato-o como a um filho. Pois bem! Onde está a inconveniência?
No baile, Mathilde compara Julien ao pai.
Cap. IX. Mathilde observando Julien no baile:Nunca se refere a si mesmo! Não é como Caylus ou Croisenois. Esse Sorel parece um pouco meu pai imitando à perfeição Napoleão no baile.
No capítulo 17 do Livro II, na cena da espada, Julien recua ao lembrar do marquês, seu benfeitor. Nos capítulos XXI a XXIII o marquês recruta Julien para levar uma nota conspiratória a um duque, e propõe ele mesmo, na reunião, um exército privado de fidalgos.
vou levá-lo a um salão onde doze pessoas estarão reunidas; o senhor deverá anotar o que cada um disser.
Que cada um de nós sacrifique um quinto de seus rendimentos para formar essa pequena tropa devotada de quinhentos homens por departamento.
A nota secreta que o marquês redigiu, baseada na longa ata de vinte e seis páginas escrita por Julien, só ficou pronta às quinze para as cinco.
No capítulo 32 do Livro II, Mathilde lhe escreve uma carta de oito páginas sobre a gravidez. No capítulo 33 do Livro II, ele reage com a fúria de quem vê arruinado o sonho de dez anos de ver a filha duquesa, e no capítulo 34 do Livro II cede em etapas: doa terras e depois dá a Julien uma patente e um nome.
Abstenha-se de fazer novas loucuras; eis uma patente de tenente dos hussardos para o senhor cavaleiro Julien Sorel de La Vernaye. [...] Que ele parta nas próximas vinte e quatro horas para apresentar-se em Estrasburgo, onde fica seu regimento.
É a ele que chega a carta da sra. de Rênal, e depois dela ele some.
Pobre e ambicioso, foi com a ajuda da mais consumada hipocrisia e pela sedução de uma mulher fraca e infeliz, que esse homem tentou alcançar uma posição e chegar a ser alguém.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Classe social, Política e Poder.
O marquês dá lugar a Julien sempre por troca de roupa ou de nome: o traje azul da noite e o preto da manhã, a missão em que Julien carrega a conspiração decorada sem ser chamado a opinar sobre ela, e por fim a patente com o nome La Vernaye. Em nenhum desses passos Julien entra na casa como Sorel.
Relações
- Mathilde de La Mole: a filha, cuja carta de oito páginas o leva a ceder.
- Julien Sorel: o secretário, depois o tenente Julien Sorel de La Vernaye.
- Abade Pirard: o abade que o defendia no processo e que lhe indica Julien.
- Abade de Frilair: a parte contrária no processo da herança.
- Madame de Rênal: a autora da carta que chega a ele às vésperas do casamento.