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Personagem

Valenod

Quem é

Diretor do asilo de mendicidade de Verrières e rival do Monsieur de Rênal nos símbolos de status da cidade. No fim do livro é barão, nomeado governador, e preside a leitura do veredito que condena Julien Sorel.

O asilo de mendicidade que o Valenod dirige em Verrières é instituição real da época: Os abrigos para mendigos, criados por Luís XVI e extintos com a Revolução, foram revividos com Napoleão, em 1808, e paulatinamente abolidos com a Restauração. Em 1830, havia somente seis no país.
Livro I, capítulo 2: Um prefeito

Trajetória

No capítulo 3 do Livro I, é a compra dos cavalos dele que leva o sr. de Rênal a contratar um preceptor.

A decisão de contratar Julien Sorel, no capítulo III, nasce menos do afeto que da disputa de prestígio entre os dois homens fortes da cidade: o Valenod está muito orgulhoso dos dois belos cavalos normandos que acaba de comprar para sua caleche. Mas não tem preceptor para os filhos.
Livro I, capítulo 3: Um cura

o guia registra que Julien, instalado como preceptor, despreza os ricos por hipocrisia e avareza, sobretudo o sr. Valenod.

No capítulo 19 do Livro I, a criada Elisa, despeitada, entrega a ele o caso de Julien com a sra. de Rênal, e chega uma carta anônima. No capítulo 21 do Livro I, a segunda carta, fabricada por Julien a mando da sra. de Rênal, é colada em papel do próprio Valenod. No capítulo 22 do Livro I, no jantar na casa dele, Julien pensa nos presos do outro lado da parede.

No almoço na casa de Valenod, diretor do asilo de mendicidade: Julien, já muito pouco à vontade, pensou que do outro lado da parede da sala de jantar se encontravam pobres detentos cuja porção de carne talvez tivesse sido subtraída para comprar todo esse luxo de mau gosto com o qual queriam aturdi-lo. Talvez tenham fome agora mesmo, disse consigo mesmo; ficou com o coração apertado, não pôde comer e quase não conseguiu falar.
Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830
Não estão mais cantando aquela canção desagradável. [...] Ora, com certeza! [...] mandei calar os vagabundos.
Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830
O contraste com a casa dos Rênal aparece com clareza total no jantar na casa do sr. Valenod, ainda em Verrières, mas que já antecipa o seminário (ver O seminário de Besançon): ao pedir que calem um preso que cantava, Valenod expõe a mesma engrenagem que Julien vai encontrar em Besançon, poder que se exerce sobre quem não pode responder.
Livro I, capítulo 22: Maneiras de agir em 1830

No capítulo 1 do Livro II, Saint-Giraud põe o nome dele na sucessão de reinos de província.

Bonaparte, que o céu o fulmine e sua tralha monárquica, tornou possível o reino dos Rênal e dos Chélan, que trouxe o reino dos Valenod e dos Maslon.
Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo

No capítulo 41 do Livro II, Abade de Frilair o nomeia como o instrumento que arrasta o resto do júri para o voto combinado.

Entre as doze pessoas encarregadas de examinar se o crime de seu protegido é incontestável e, sobretudo, se houve premeditação, conto com seis amigos devotados a minha causa, e dei-lhes a entender que dependia deles levar-me ao bispado.
Livro II, capítulo 41: O julgamento
É a peça que falta para entender por inteiro o discurso de Julien à tribuna: quando ele diz aos jurados que não é julgado por seus pares, o júri à sua frente já não é o corpo imparcial que a lei desenhou, é uma maioria trabalhada por um clérigo em troca de um cargo eclesiástico, e o discurso de classe dá a Valenod o pretexto para romper o acordo e condenar. A acusação de classe do discurso tem, debaixo dela, uma manipulação de classe muito concreta, e é ela que vira contra Julien.
Livro II, capítulo 41: O julgamento

Já nomeado governador, preside a leitura do veredito "num passo grave e teatral".

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Poder, Dinheiro e riqueza e Justiça e lei.

Valenod está nas duas pontas da relação de Julien com Verrières: no jantar em que Julien não consegue comer pensando nos presos do outro lado da parede, e na sessão em que é ele quem pronuncia a condenação.

Relações