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Personagem

Abade Chélan

Quem é

Cura de Verrières, com oitenta anos no começo do livro, ameaçado de destituição por ter recebido na prisão um inspetor liberal. A nota do capítulo 3 do Livro I o descreve como a única figura da cidade que não mede as coisas em dinheiro, e diz que é por isso que ele perde o cargo.

Trajetória

No capítulo 3 do Livro I, o retrato de abertura vem com a resposta dele ao sr. de Rênal e ao Valenod, que vão à casa dele expressar descontentamento: ele se mede pelos anos de batismos e casamentos na cidade.

Há cinquenta e seis anos que estou aqui; batizei quase todos os habitantes da cidade, que não passava de um vilarejo quando cheguei. Faço todos os dias o casamento de jovens cujos avós foram casados por mim. Verrières é minha família
Livro I, capítulo 3: Um cura

No capítulo 7 do Livro I ele aparece de novo, de lado, na formação da Madame de Rênal: como confessor, foi o único que lhe falou de amor, e falou para pintá-lo como libertinagem.

O bom cura Chélan, seu confessor, fora o único que lhe falara do amor, a propósito do assédio do sr. Valenod, e lhe pintara um quadro tão repugnante que para ela a palavra representava a mais abjeta libertinagem.
Livro I, capítulo 7: As afinidades eletivas

No capítulo 18 do Livro I, o padre Maslon recusa recebê-lo no cortejo da visita do rei.

O ódio entre o clero ultrarrealista e o jansenismo, que vai definir todo o seminário de Besançon (ver O seminário de Besançon), já aparece aqui em ponto pequeno, na recusa do padre Maslon a receber o cura Abade Chélan no cortejo: — Estarei desonrado aqui e em Besançon — o padre Maslon respondeu — se ele aparecer em meu clero. Um jansenista, santo Deus!
Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières

Avisado por Elisa, ordena a Julien Sorel que deixe Verrières em três dias, para o seminário (ver O seminário de Besançon) ou para a casa do amigo Fouqué. No seminário, Abade Pirard aceita Julien por causa dele e lhe atribui a formação bíblica do rapaz.

O exame de teologia com o abade Pirard: O abade Pirard submeteu Julien a um exame em teologia, e ficou surpreso com a extensão de seus conhecimentos. Seu espanto aumentou quando o interrogou sobre a Sagrada Escritura. Mas, quando chegou às questões sobre as doutrinas dos Padres da Igreja, percebeu que Julien mal conhecia os nomes de são Jerônimo, santo Agostinho, são Boaventura, são Basílio etc. etc. Com efeito, pensou o abade Pirard, eis aí a tendência fatal ao protestantismo que sempre reprovei em Chélan. Um conhecimento profundo e demasiado profundo da Sagrada Escritura.
Livro I, capítulo 25: O seminário

No capítulo 1 do Livro II, Saint-Giraud põe o nome dele ao lado do de Rênal.

Bonaparte, que o céu o fulmine e sua tralha monárquica, tornou possível o reino dos Rênal e dos Chélan, que trouxe o reino dos Valenod e dos Maslon.
Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo

No capítulo 37 do Livro II, já muito velho, visita Julien na prisão, e a nota o põe ao lado de Fouqué como forma de afeto sem cálculo, que Julien mal sabe receber. Ele vem retirado da montanha, devolve os quinhentos francos que Julien mandara aos pobres de Verrières e quase não consegue falar.

A mão do tempo se abatera sobre aquele homem outrora tão enérgico. Parecia a sombra de si mesmo, pensou Julien.
Livro II, capítulo 37: Um torreão

Temas que encarna

Os temas-padrão que passam por ele são Religião, Formação e Dinheiro e riqueza.

Chélan é medido por três réguas diferentes no guia. Maslon o chama de jansenista, Pirard reprova nele a tendência ao protestantismo, e Saint-Giraud, olhando de fora da cidade, o põe no mesmo reino que o sr. de Rênal. Só a nota do capítulo 3 do Livro I o separa da régua do dinheiro, e é a mesma nota que diz que ele perde o cargo por isso.

Relações