O que é
O salão da mansão do Marquês de La Mole em Paris, onde a marquesa recebe. a leitura da obra diz que, se a província mede tudo por dinheiro, Paris mede por nascimento, tédio e maneiras, e que a arma que servia em Verrières não compra lugar nenhum ali.
Onde aparece
No capítulo 1 do Livro II, o nome da família gravado em mármore negro na porta é o primeiro sinal que Julien lê.
Tal ostentação desagradou a Julien. Eles têm tanto medo dos jacobinos! Veem um Robespierre e sua carroça atrás de cada sebe; estão sempre zombando de tudo e exibem dessa forma sua casa para que a canalha a reconheça, em caso de tumulto, e a pilhe.
O capítulo 4 do Livro II expõe o mecanismo do salão: cinco ou seis aduladores frequentam a casa, e sem eles a marquesa ficaria exposta à solidão, e ninguém fala de nada que tenha peso.
Cap. IV. Os anfitriões do palácio de La Mole:No fundo, os anfitriões experimentavam muito orgulho e muito tédio; estavam acostumados à maledicência para se distrair, para que pudessem esperar verdadeiros amigos.
Não há cem mil escudos de renda nem condecoração que possa lutar contra essa norma de salão. Uma ideia viva, mínima que fosse, parecia uma grosseria.
Cap. IV. A opinião como tirano, numa fala de salão:Por que querem que eu tenha hoje a mesma opinião de três semanas atrás? Nesse caso, minha opinião seria meu tirano.
Cap. IV. No salão de La Mole:Isso é mesmo um covil — dizia, como Basílio67 —, só vejo entrar gente viciosa.
Cap. V. Epígrafe do capítulo, atribuída a Faublas:Uma ideia mais viva parece uma grosseria, tal nos acostumamos com palavras vazias. Infeliz daquele que inventa ao falar! FAUBLAS70
Depois do duelo, Julien encontra gente da mesma casta que não é enfadonha, e mede o salão pela diferença.
Esses senhores, ainda que muito nobres, pensou Julien, não são enfadonhos como as pessoas que vão jantar na mansão do sr. de La Mole; e percebo por quê, [...] Eles se permitem ser indecentes.
Mathilde de La Mole governa o próprio círculo com epigramas, e se entedia com as cartas iguais dos pretendentes.
No capítulo 29 do Livro II, a marechala de Fervaques, que frequenta a casa de La Mole, cede ao tédio de um modo de vida feito para o público.
O tédio de um modo de vida que só ambiciona o efeito sobre o público, sem que no fundo do coração haja uma satisfação real com esse tipo de sucesso, tornara-se tão intolerável desde que pensava em Julien
A política que o salão trata como grosseria aparece em outro salão, com o próprio marquês à mesa.
vou levá-lo a um salão onde doze pessoas estarão reunidas; o senhor deverá anotar o que cada um disser.
Que cada um de nós sacrifique um quinto de seus rendimentos para formar essa pequena tropa devotada de quinhentos homens por departamento.
O que significa
A nota do capítulo 4 do Livro II diz que o tédio ali não é falha, é a regra de proteção do grupo: qualquer ideia viva é lida como grosseria, porque obriga a tomar posição. A nota do capítulo 9 do Livro II fecha o argumento:
As duas falas fecham o argumento que o resto dos capítulos 1 a 15 do Livro II só ilustra: a aristocracia parisiense não tolera nem o revolucionário estrangeiro nem o plebeu ambicioso pelo mesmo motivo, os dois vieram de fora da linhagem que a classe usa para se justificar, e o instrumento que pune o pensamento fora dessa linhagem, a congregação delatando à polícia, é o mesmo que, capítulos adiante, vai condenar Julien num tribunal.
O marquês está nas duas salas que o livro descreve. Na da marquesa, nenhuma ideia viva é admitida; na da reunião secreta, é ele quem propõe armar quinhentos homens por departamento. A política que não entra no salão como conversa é decidida fora dele pelo dono da casa.
Relações
- Temas-padrão: Classe social, Aparência e realidade, Política.
- Personagens: Marquês de La Mole, Mathilde de La Mole, Julien Sorel.
- Lugar: Paris.
- Símbolos vizinhos: O seminário de Besançon e A cabeça cortada.