Quem é
Vigário-geral de Besançon, homem da congregação, que sonha com o bispado. A nota do capítulo 5 do Livro I diz que a rede clerical ultrarrealista nomeada de passagem em Verrières vai encarnar de corpo inteiro nele.
O episódio das colunas de mármore nomeia o poder que decide essa disputa:tornaram-se célebres na região, pelo ódio mortal que suscitaram entre o juiz de paz e o jovem vigário enviado de Besançon, tido como espia da congregação.
Trajetória
No capítulo 29 do Livro I, é o adversário de Abade Pirard na disputa de facção entre o clero ligado à congregação e o clero jansenista.
O adversário devolve a acusação com o mesmo vocabulário de facção:Este se sentiu ultrajado com a insolência, ainda por cima por parte de um jansenistazinho!
No concurso geral, um examinador ligado a ele deixa Julien recitar Horácio e o reprova por "estudos profanos"; Frilair rebaixa Julien ao 198º lugar por vingança contra Pirard, disputa que corre em paralelo ao processo dele contra o Marquês de La Mole por uma herança de terras.
O alcance da rede que arma essa vingança é descrito sem meias palavras:aquele homem hábil que organizara tão sabiamente a rede da congregação de Besançon e cujas missivas para Paris faziam tremer juízes, o governador e até os oficiais da guarnição, escrevesse, de próprio punho, o número 198 ao lado do nome de Julien.
No capítulo 13 do Livro II, o livro agrupa com Maslon e Frilair o padre Castanède, que Julien conhecera como vice-diretor do seminário (ver O seminário de Besançon); no capítulo 23 do Livro II, ele reaparece como agente da congregação e é quem revista a bagagem de Julien na missão da nota secreta.
No capítulo 38 do Livro II, Mathilde de La Mole negocia com ele por fora; ela se sente em Paris ao ver o luxo do palácio episcopal. Ele diz poder manipular boa parte da lista de jurados sorteados.
Entre as doze pessoas encarregadas de examinar se o crime de seu protegido é incontestável e, sobretudo, se houve premeditação, conto com seis amigos devotados a minha causa, e dei-lhes a entender que dependia deles levar-me ao bispado.
Nomeia Valenod como o instrumento que arrasta o resto do júri.
É a peça que falta para entender por inteiro o discurso de Julien à tribuna: quando ele diz aos jurados que não é julgado por seus pares, o júri à sua frente já não é o corpo imparcial que a lei desenhou, é uma maioria trabalhada por um clérigo em troca de um cargo eclesiástico, e o discurso de classe dá a Valenod o pretexto para romper o acordo e condenar. A acusação de classe do discurso tem, debaixo dela, uma manipulação de classe muito concreta, e é ela que vira contra Julien.
Temas que encarna
Os temas-padrão que passam por ele são Poder, Religião e Justiça e lei.
Frilair é o fio que liga as três frentes de Julien: no seminário decide o lugar dele no concurso, em Paris é a parte contrária no processo do marquês, e no fim diz contar com seis jurados amigos. A mão que escreveu 198 ao lado do nome de Julien é a mesma que, pela própria boca, conta com os seis.
Relações
- Abade Pirard: o adversário jansenista, punido nele pelo rebaixamento de Julien.
- Marquês de La Mole: a parte contrária no processo da herança.
- Mathilde de La Mole: que negocia com ele a salvação de Julien.
- Valenod: o instrumento dele no júri.
- Julien Sorel: rebaixado por ele no seminário e julgado pelo júri que ele diz controlar.