A cabeça cortada liga o começo ao fim do romance: é a de Boniface de La Mole, ancestral de Mathilde decapitado em 1574, cuja lenda ela cultua, e, no último capítulo, é a de Julien Sorel, que Mathilde beija e enterra com as próprias mãos.
O presságio vem cedo. No capítulo V do Livro primeiro, na igreja de Verrières, Julien encontra um papel de jornal sobre a execução de um certo Louis Jenrel, em Besançon, nome feito exatamente com as letras de Julien Sorel, e comenta: "seu nome acaba como o meu". Logo depois, o reflexo das cortinas vermelhas faz a água da pia parecer sangue.
Em Paris, Julien ouve que o ancestral da família teve a cabeça cortada na Place de Grève por uma intriga política, e que a rainha Margarida de Navarra, amante dele, levou a cabeça na carruagem e foi enterrá-la ela mesma. Mathilde se veste de preto no aniversário da execução e mede os homens pela coragem diante da morte. Quando Julien começa a tirar da bainha, contra ela, uma velha espada da biblioteca, Mathilde se sente transportada ao século de Carlos IX e de Henrique III.
No fim, Mathilde reencena a lenda: "A lembrança de Boniface de La Mole e de Margarida de Navarra" lhe dá coragem para abrir o casaco que envolve o corpo; ela põe a cabeça de Julien sobre uma mesa de mármore e a beija na testa; depois a leva no colo até a gruta e a enterra. A cabeça passa de fato de família a régua de Mathilde e, por fim, a objeto, e mostra o amor dela como um papel representado até o fim.