O tema central de O Vermelho e o Negro é a ambição de um rapaz pobre numa sociedade que fecha as portas a quem não nasceu no lugar certo, e o preço que essa ambição cobra: Julien Sorel calcula cada passo e só descobre, na prisão, que foi feliz nas poucas horas em que não calculava.
Em volta desse eixo correm os outros temas. A hipocrisia é o método, e o narrador lhe dá nome já no capítulo V, chamando-a de "essa palavra horrível". A classe social é a régua: Verrières mede tudo pelo "DAR LUCRO", e Paris mede pelo nascimento e pelas maneiras. O amor aparece em duas formas opostas, o da sra. de Rênal, que ama sem saber que ama, e o de Mathilde de La Mole, que decide amar.
A política, por fim, decide os degraus da carreira de Julien, do seminário ao júri. O subtítulo, "Crônica de 1830", avisa que a matéria é a França daquele momento, e o próprio narrador interrompe a história, num diálogo fingido com um editor, para discutir se a política cabe num romance; o editor responde que, sem ela, os personagens deixariam de ser franceses de 1830.
O livro não condena a ambição como vício simples. Mostra que ela ocupa o lugar onde estaria a felicidade: Julien chama de batalha ganha o aumento arrancado ao patrão e, tenente havia dois dias, já calcula o posto seguinte. Na prisão, estranha só ter conhecido "a arte de gozar a vida" ao ver o fim se aproximar.