A sra. de Rênal ama sem saber que ama e segue o coração; Mathilde de La Mole decide amar e precisa de razões para deixar o coração se comover. Uma age por impulso, a outra por projeto.
É o próprio Julien quem formula a diferença, no capítulo XXX do Livro segundo, ao resistir a Mathilde: "A sra. de Rênal encontrava razões para fazer o que seu coração lhe ditava; essa moça da alta sociedade só deixa o coração se comover depois de encontrar boas razões para que se comova." O narrador já tinha dado nome ao segundo tipo: o amor de Mathilde é "amor cerebral", que "se conhece demais" e se julga sem cessar.
A diferença aparece nos gestos. Sob a tília, a sra. de Rênal "não pensava em nada, deixava-se viver". Mathilde chama Julien ao quarto como prova de coragem, despreza-o assim que se sabe amada e só se rende quando ele a trata com indiferença calculada, seguindo o método do príncipe Korasoff. Com uma, Julien chega a esquecer de fingir; com a outra, só avança fingindo.
O fim mostra para qual das duas Julien volta. Na prisão, a devoção heroica de Mathilde cansa Julien, que, segundo o narrador, "estava cansado de heroísmo"; é à sra. de Rênal que ele diz que nunca terá sido tão feliz. As duas se despedem de modos opostos: Mathilde com uma cerimônia em torno da cabeça do amante, a sra. de Rênal com uma morte silenciosa.