O narrador não explica o título, e o que se diz dele é leitura, não dado do livro. A leitura que o enredo mais apoia vê nas duas cores as duas carreiras possíveis para um rapaz pobre: o vermelho da farda, do tempo em que Napoleão fazia generais, e o negro da batina, a carreira da Igreja que Julien Sorel escolhe por cálculo, não por fé.
O apoio dessa leitura está no capítulo V do Livro primeiro. Julien cresceu lembrando que Bonaparte, "tenente obscuro e sem fortuna", se tornara senhor do mundo com a espada, mas conclui que a época mudou: agora há padres de quarenta anos ganhando três vezes mais que os generais de Napoleão. Daí a decisão: "É preciso ser padre." No seminário, os pedreiros do claustro lembram com saudade o tempo de Napoleão, quando um pedreiro se tornava general.
O texto, porém, não dá a cor vermelha aos trajes de distinção que Julien veste. Na visita do rei, ele desfila com o traje azul-celeste da guarda de honra e logo depois volta a vestir "o trajezinho preto já gasto"; em Paris, o marquês lhe dá um traje azul para a noite, e de manhã ele volta ao preto de secretário. Onde o vermelho pesa é nas cortinas da igreja de Verrières: no começo, o reflexo delas faz Julien ver sangue na água derramada perto da pia de água benta; no fim, sob as mesmas cortinas carmesim, ele atira na sra. de Rênal.
A farda de verdade, a de tenente de hussardos, só chega perto do fim e dura pouco: logo vem a carta que desfaz o casamento. Lido assim, o título resume a aposta da vida de Julien: subir por uma das duas portas numa sociedade que, para ele, fechou a primeira.