Julien atira na sra. de Rênal porque uma carta dela ao marquês de La Mole, que o acusava de ter tentado subir pela hipocrisia e pela sedução de uma mulher fraca, desfez o casamento com Mathilde e o futuro que ele acabava de conquistar. O livro, porém, não dá ao tiro um motivo simples.
O marquês, que tinha pedido informações sobre Julien, recebe a carta e escreve à filha que jamais consentirá no casamento. Julien lê as duas cartas, diz que o marquês "é justo e prudente", deixa Mathilde para trás e parte para Verrières. Lá compra um par de pistolas, entra na igreja durante a missa e, de início, não consegue: "Não posso, dizia consigo mesmo, fisicamente, não posso". Atira duas vezes; a primeira bala atravessa o chapéu dela, a segunda a atinge no ombro.
Na prisão, ele escreve a Mathilde que se vingou. Na mesma noite, quando o carcereiro lhe conta que ela não morreu, cai de joelhos chorando, e só então começa a se arrepender. Mais tarde, já condenado, nem ele sabe dizer ao certo o que o moveu: pergunta-se como convencer a sra. de Rênal de que é a ela que ama, depois de ter querido matá-la, e admite que "quis matá-la por ambição ou por amor a Mathilde".
O tiro é o ponto em que o cálculo de Julien falha de vez: em vez de manobrar para salvar o que resta, ele destrói a própria subida. E a carta, descobre-se na prisão, tinha sido redigida pelo jovem padre que dirigia a consciência da sra. de Rênal e apenas copiada por ela.