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Perguntas · O Vermelho e o Negro

O que Julien Sorel diz no julgamento?

No julgamento, em Besançon, Julien Sorel não pede clemência: diz aos jurados que merece a morte pelo crime, mas que eles querem punir nele os jovens nascidos pobres que conseguem se educar e ousam entrar na boa sociedade.

Decidido a não falar, ele se levanta quando, já passada a meia-noite, o presidente do tribunal pergunta se tem algo a acrescentar. Começa assim: "Senhores, não tenho a honra de pertencer à sua classe, os senhores veem em mim um camponês que se revoltou contra a baixeza de sua sorte." Reconhece que o crime foi premeditado, diz que a sra. de Rênal "foi como uma mãe" para ele e acusa: não será julgado por seus pares, porque não vê no júri "nenhum camponês enriquecido, mas apenas burgueses indignados".

Ele fala durante vinte minutos, e as mulheres da plateia choram. O júri se retira à uma hora; às duas, o barão de Valenod, antigo rival de Julien em Verrières, avança "num passo grave e teatral" e lê a declaração unânime: culpado de homicídio com premeditação, o que acarreta a pena de morte.

O desfecho tem uma ironia política. O vigário-geral Frilair contava com seis jurados amigos e prometera a absolvição; Valenod, com a nomeação de governador no bolso, preferiu condenar. Depois, Frilair reclama do discurso: "Por que falar de casta?". Julien é condenado por uma rede de favores igual à da carreira que tentou escalar.

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