Clavis Libri

Símbolo

O Memorial de Santa Helena

O que é

O livro do culto a Napoleão Bonaparte que Julien Sorel guarda como o objeto que mais ama no mundo, e uma das três obras pelas quais, segundo o narrador, ele se deixaria matar. Foi o velho cirurgião-mor, veterano das campanhas napoleônicas na Itália, quem deixou a Julien os livros da formação dele.

Onde aparece

No capítulo 4 do Livro I, a pancada do pai derruba o livro no riacho, quando Julien lê em cima de uma trave da serraria, e o narrador nomeia o livro no olhar que Julien ainda lança para a água.

olhou tristemente o riacho onde caíra o livro; de todos, era o que mais prezava, o Memorial de Santa Helena.
Livro I, capítulo 4: Um pai e um filho
O capítulo V retrocede e explica a formação de Julien: o velho cirurgião-mor da Legião de Honra, veterano das campanhas napoleônicas na Itália, foi seu único mestre de afeto, e lhe deixou os livros; os três em que Julien crê são as Confissões de Rousseau, os boletins do Grande Exército e o Memorial de Santa Helena ("corão" é o Alcorão, a escritura dele): A coleção de boletins do Grande Exército e o Memorial de Santa Helena completavam seu corão. Ele se deixaria matar por essas três obras. Nunca acreditara em nenhuma outra.
Livro I, capítulo 5: Uma negociação

No capítulo 9 do Livro I, a lealdade que o livro sustenta precisa ficar escondida: Julien queima um retrato de Napoleão guardado no colchão.

Cap. IX. Julien queimando o retrato de Napoleão escondido no colchão: Toda a minha reputação destruída, aniquilada num segundo!, pensava Julien enquanto via a caixa queimar, e minha reputação é o meu único bem, é só por ela que vivo… E ainda assim, que vida, meu Deus!
Livro I, capítulo 9: Uma noite no campo

No capítulo 22 do Livro II, o livro dá a epígrafe desse capítulo, o da reunião conspirativa a que Julien assiste como secretário, e a frase escolhida é sobre Paris.

Em Paris, obtém-se consideração pela carruagem, não pela virtude.
Livro II, capítulo 22: A discussão

No capítulo 31 do Livro II, depois de ver Mathilde de La Mole em lágrimas no camarote da Ópera, o que ele compara a uma grande batalha vencida em parte, Julien abre o livro e se força a lê-lo por duas horas sem que a cabeça acompanhe os olhos; logo em seguida o joga longe e formula o plano de amedrontá-la.

Abriu, num gesto apaixonado, as Memórias de Santa Helena, de Napoleão, e durante duas longas horas se forçou a lê-las; apenas os olhos liam, pouco lhe importava, forçava-se.
Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la
AMEDRONTÁ-LA, exclamou de repente, jogando o livro ao longe. O inimigo só vai me obedecer à medida que eu o amedrontar, então não vai se atrever a me desprezar.
Livro II, capítulo 31: Amedrontá-la

O que significa

a leitura da obra resume o começo do livro como a formação de Julien entre a serraria e o Memorial de Santa Helena. O livro aparece na serraria, numa epígrafe do Livro II e no capítulo XXXI.

O livro que no riacho é o bem mais precioso de Julien, no capítulo XXXI já não prende a cabeça dele, só os olhos, e é atirado longe no instante em que ele troca o modelo de Napoleão pela tática de amedrontar uma mulher. A ambição que nasceu lendo o Memorial continua, mas já não precisa dele.

Relações