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A farda e a batina

O que é

As duas carreiras do título, segundo a leitura da obra: o vermelho é a farda, que fazia general aos trinta anos no tempo de Napoleão Bonaparte, e o negro é a batina, o que sobrou depois da Restauração para quem quer subir sem nascer em berço.

Onde aparece

No capítulo 3 do Livro I, a Madame de Rênal reparte os filhos entre as três portas oficiais da época.

A própria Madame de Rênal, ao pensar no futuro dos filhos, reproduz sem perceber a régua de carreiras fechadas que rege toda a cidade: Gostava do sr. de Rênal sobretudo quando ele lhe falava de seus projetos para os filhos, destinando um deles às armas, o segundo à magistratura e o terceiro à Igreja.
Livro I, capítulo 3: Um cura

Aos catorze anos, Julien vira a admiração por Napoleão em vocação fingida para o sacerdócio, ao ver o juiz de paz humilhado por um jovem vigário.

O episódio das colunas de mármore nomeia o poder que decide essa disputa: tornaram-se célebres na região, pelo ódio mortal que suscitaram entre o juiz de paz e o jovem vigário enviado de Besançon, tido como espia da congregação.
Livro I, capítulo 5: Uma negociação
A frase que resume o eixo do livro inteiro não usa as palavras "vermelho" e "negro", mas é elas: Hoje em dia vemos padres de quarenta anos recebendo cem mil francos de vencimentos, ou seja, três vezes mais do que os famosos generais de divisão de Napoleão. [...] É preciso ser padre.
Livro I, capítulo 5: Uma negociação

No capítulo 18 do Livro I, a sra. de Rênal consegue tirar Julien da batina por um dia, e ele desfila diante do rei com a farda azul-celeste da guarda de honra.

A Madame de Rênal usa toda a influência que tem para tirar Julien das roupas pretas (ver A farda e a batina) por um dia, e consegue mais do que imaginava: obteve primeiro do sr. Moirod, e em seguida do subgovernador de Maugiron, que Julien fosse nomeado guarda de honra em prejuízo de cinco ou seis filhos de fabricantes muito abastados, e dos quais pelo menos dois eram de uma piedade exemplar.
Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières

No seminário, Julien é isento do recrutamento militar por ser seminarista, e ouve os pedreiros do claustro falarem do tempo em que a farda era aberta a todos.

Julien ouve por acaso, no jardim, os pedreiros do claustro comentarem o recrutamento, e a conversa deles nomeia sem rodeios o que a Restauração fechou: No tempo do outro, aí sim! Um pedreiro se tornava oficial, se tornava general, a gente via isso acontecer.
Livro I, capítulo 29: A primeira promoção
Ao se afastar, Julien repete baixinho a mesma nostalgia dos pedreiros, prova de que seu bonapartismo não é peculiaridade de leitura, é sentimento vivo na rua: O único rei de que o povo se lembra!
Livro I, capítulo 29: A primeira promoção

No capítulo 7 do Livro II, a roupa divide o dia de Julien na casa de La Mole: traje azul à noite, traje preto de manhã.

Se é possível apegar-se a um belo cocker spaniel, pensava o marquês, por que me envergonho tanto de me apegar a esse padrezinho? Ele é original. Trato-o como a um filho. Pois bem! Onde está a inconveniência?
Livro II, capítulo 7: Uma crise de gota

No capítulo 34 do Livro II, o marquês lhe dá a patente de tenente de hussardos, e no capítulo 35 do Livro II dois dias bastam para o posto parecer pouco.

Abstenha-se de fazer novas loucuras; eis uma patente de tenente dos hussardos para o senhor cavaleiro Julien Sorel de La Vernaye. [...] Que ele parta nas próximas vinte e quatro horas para apresentar-se em Estrasburgo, onde fica seu regimento.
Livro II, capítulo 34: Um homem de espírito
Em Estrasburgo, dois dias depois da patente, a vitória já não basta: Mal se tornara tenente, por favor e havia dois dias, já calculava que para ser comandante em chefe aos trinta anos, ao mais tardar, como todos os grandes generais, era necessário ser mais do que tenente aos vinte e três anos.
Livro II, capítulo 35: Uma tormenta

O que significa

a leitura da obra diz que Julien enuncia a escolha entre as duas cores como cálculo frio, não como vocação, e a nota do capítulo 5 do Livro I acrescenta que ele escolhe a batina por cálculo, não por fé, e que o livro inteiro vai cobrar essa escolha.

no guia, a farda que Julien chega a vestir nunca tem a cor do título: a da guarda de honra é azul-celeste, e o traje da noite em Paris é azul. O negro, ao contrário, é a roupa de todo dia, a batina do seminário e o traje preto da manhã de secretário. A única farda de fato, a de hussardo, chega no fim, e dura até a carta da sra. de Rênal.

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