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Recurso literário

Alusão

Referência breve, sem explicação, a uma pessoa, um texto, um mito ou um fato conhecido fora da obra, que traz consigo o sentido daquela outra história.

Em O Vermelho e o Negro

olhou tristemente o riacho onde caíra o livro; de todos, era o que mais prezava, o Memorial de Santa Helena.

O título "Memorial de Santa Helena" é citado sem explicação, e basta o nome para trazer a figura de Napoleão e o relato do exílio dele, o que mostra por que Julien prezava tanto esse livro caído no riacho.

Livro I, capítulo 4: Um pai e um filho, o narrador

A coleção de boletins do Grande Exército e o Memorial de Santa Helena completavam seu corão. Ele se deixaria matar por essas três obras. Nunca acreditara em nenhuma outra.

"Grande Exército", "Memorial de Santa Helena" e "corão" remetem, sem explicar, à epopeia napoleônica e ao livro sagrado do islã, e o leitor sente o peso que esses nomes têm para a fé secreta de Julien.

Livro I, capítulo 5: Uma negociação, o narrador

Ora, eu perderia covardemente sete ou oito anos! Chegaria assim aos vinte e oito, mas, com essa idade, Bonaparte já havia realizado seus maiores feitos!

O nome "Bonaparte" serve de régua para a vida de Julien: ao dizer que o general "já havia realizado seus maiores feitos" aos vinte e oito anos, ele mede o tempo que perderia com Fouqué pela carreira de Napoleão.

Livro I, capítulo 12: Uma viagem, Julien Sorel (em pensamento)

No tempo do outro, aí sim! Um pedreiro se tornava oficial, se tornava general, a gente via isso acontecer.

"No tempo do outro" nomeia Napoleão sem dizer o nome, e o pedreiro supõe que todos entendem, o que mostra que a memória do imperador continua viva entre o povo, e não só nos livros de Julien.

Livro I, capítulo 29: A primeira promoção, um pedreiro

Quais serão suas pretensões, se algum dia tiver todo o poder sobre mim? Pois bem! Direi como Medeia: Em meio a tantos perigos, resta-me EU.

Ao dizer "Direi como Medeia", Mathilde evoca a heroína trágica que, perdido tudo, ainda tem a si mesma, e usa essa referência para se ver como figura de tragédia ao entrar no amor.

Livro II, capítulo 14: Pensamentos de uma moça, Mathilde de La Mole (em pensamento)