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Recurso literário

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Sinal, dito ou imagem que antecipa, às vezes só para quem relê, algo que vai acontecer mais adiante na obra.

Em O Vermelho e o Negro

Com a cabeça apoiada nas mãos, Julien sentiu-se mais feliz na gruta do que jamais fora em toda a vida, agitado pelos devaneios e pelo gozo da liberdade.

Julien diz ter se sentido "mais feliz na gruta" do que nunca, e o leitor, olhando de trás, vê aí um ensaio da felicidade solitária e sem plateia que ele só reencontrará na prisão.

Livro I, capítulo 12: Uma viagem, o narrador

Para um pobre-diabo como eu, pensou Julien, sem padrinhos e sem dinheiro, não deve haver muita diferença entre o seminário e a prisão

Julien compara o seminário à prisão em tom de piada amarga, e a palavra volta a pesar no fim do livro, quando é na cela de condenado que ele diz ter conhecido "a arte de gozar a vida".

Livro I, capítulo 24: Uma capital, Julien Sorel (em pensamento)

seus companheiros jamais o olharão sem odiá-lo; se fingirem amá-lo, será para melhor traí-lo.

Pirard avisa que os companheiros jamais olharão Julien sem ódio e que, se fingirem amá-lo, será "para melhor traí-lo". O aviso se confirma logo em seguida, no exame, quando o examinador nomeado por Frilair lhe arma uma cilada com Horácio.

Livro I, capítulo 29: A primeira promoção, Abade Pirard

O ancestral dele era da corte e teve a honra de ter a cabeça cortada na Place de Grève, no dia 26 de abril de 1574, por causa de uma intriga política. O senhor é filho de um carpinteiro de Verrières e, ainda por cima, a serviço do pai dele.

A cabeça cortada do antepassado antecipa o fim do romance, em que Mathilde, descendente da vítima, beija a cabeça de Julien posta sobre uma mesa de mármore, e o que Pirard cita como título vira destino.

Livro II, capítulo 1: Os prazeres do campo, Abade Pirard

Acho que só a condenação à morte honra um homem [...], é a única coisa que não se compra.

A máxima de Mathilde, "só a condenação à morte honra um homem", anuncia o destino de Julien, que no fim é de fato condenado, e o amor dela chega ao auge justamente quando o perigo deixa de ser imaginado e toma o rosto dele.

Livro II, capítulo 8: Qual a condecoração mais honrosa, Mathilde de La Mole (em pensamento)

O senhor e eu, nesse jantar, seremos os únicos sem mancha de sangue, mas eu serei desprezado e quase odiado como um monstro sanguinário e jacobino, e o senhor, desprezado simplesmente como homem do povo, um intruso na boa sociedade.

O desprezo de que Julien será alvo "como homem do povo, um intruso na boa sociedade" anuncia o julgamento, onde ele será punido justamente por ter ousado se misturar à boa sociedade.

Livro II, capítulo 9: O baile, Conde Altamira