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Recurso literário

Sátira

Crítica de pessoas, costumes ou instituições pelo ridículo, pelo exagero ou pela ironia.

Em O Vermelho e o Negro

tirania da opinião, e que opinião!, é tão burra nas cidadezinhas da França quanto nos Estados Unidos da América.

A crítica recai sobre os costumes de província: ao chamar de "burra" a "tirania da opinião" e igualá-la à dos Estados Unidos, o narrador ridiculariza o hábito de todos temerem o que os vizinhos vão dizer.

Livro I, capítulo 1: Uma cidadezinha, o narrador

Eis a grande palavra que decide tudo em Verrières: DAR LUCRO. Por si só representa o pensamento habitual de mais de três quartos dos habitantes.

Ao pôr em maiúsculas "DAR LUCRO" e dizer que isso resume o pensamento de "mais de três quartos dos habitantes", o narrador ridiculariza uma cidade que mede tudo em ganho e não conhece outro valor.

Livro I, capítulo 2: Um prefeito, o narrador

Houve um Te Deum, nuvens de incenso, infinitas descargas de mosquetes e de artilharia; os camponeses estavam ébrios de felicidade e devoção. Um dia assim desfaz a obra de cem números de jornais jacobinos.

O narrador ridiculariza a cerimônia ao dizer que "os camponeses estavam ébrios de felicidade e devoção" e que um dia assim vale "cem números de jornais jacobinos", mostrando a religião usada como propaganda do trono.

Livro I, capítulo 18: Um rei em Verrières, o narrador

É a golpes de desprezo público que um marido mata sua mulher no século XIX, fechando-lhe as portas dos salões.

Ao dizer que é assim "que um marido mata sua mulher no século XIX", o narrador critica os costumes da época, em que a violência cede lugar a uma crueldade social cujo único tribunal é a opinião dos salões.

Livro I, capítulo 21: Diálogo com um mestre, o narrador

Não há cem mil escudos de renda nem condecoração que possa lutar contra essa norma de salão. Uma ideia viva, mínima que fosse, parecia uma grosseria.

O narrador ridiculariza o salão ao dizer que nem "cem mil escudos de renda" nem condecoração vencem a norma, e que "ideia viva" parecia grosseria, expondo uma classe que confunde pensar com mau gosto.

Livro II, capítulo 4: A mansão de La Mole, o narrador

Esses senhores, ainda que muito nobres, pensou Julien, não são enfadonhos como as pessoas que vão jantar na mansão do sr. de La Mole; e percebo por quê, [...] Eles se permitem ser indecentes.

O elogio às piadas picantes funciona como crítica à casa de La Mole, cujos jantares são "enfadonhos", mortos de medo do escândalo e das ideias, o que expõe o vazio de uma nobreza que só sabe se calar.

Livro II, capítulo 6: Modo de pronunciar, Julien Sorel (em pensamento)

...Lembre-se, senhor, que quem me ama não deve amar Napoleão; pode no máximo aceitá-lo como uma necessidade imposta pela Providência. De resto, aquele homem não tinha a alma suficientemente elegante para sentir as obras-primas das artes.

A marechala exige que quem a ama não ame Napoleão e diz que ele não tinha "a alma suficientemente elegante" para as artes, e a afetação dela ridiculariza uma elite que trata opinião política como prova de gosto.

Livro II, capítulo 28: Manon Lescaut, Marechala de Fervaques